Monday, 20 August 2007

"Timor-Leste: o Estado falhando" Pedro Rosa Mendes, Delegado da Agência Lusa em Timor


A crise actual em Timor resulta das rivalidades pessoais, insanáveis, de quatro ou cinco homens; é triste que tanto lastro sepulte tanto génio e adie um projecto nacional.

Pedro Rosa Mendes

Uma ilha é Sísifo naufragado numa elipse: quanto mais se afasta de um ponto, mais perto está de voltar a esse porto. Este o problema endémico de Timor. Numa geografia virada para dentro, o tempo arrisca-se à sua própria repetição. E a política, por autofagia, faz-se imune à História.

Alguns factos soltos, na semana mais difícil do mandato do Presidente José Ramos-Horta:

1. Em nenhum outro país do mundo as instituições democráticas e a normalidade constitucional estão reféns de um homem com 19 (dezanove) armas automáticas;

2. O major Alfredo Reinado, por uma questão de escala e de capacidade, não é um rebelde, no sentido, por exemplo, em que Jonas Savimbi o foi em Angola, ou que Mokhtada al-Sadr o é no Iraque; Reinado não propõe uma ordem diferente, apenas nunca se adaptou à ordem existente; nesse sentido, é um caso de ordem pública e não um problema de Estado; a confusão entre uma coisa e outra produziu um herói;

3. Um herói, em Timor, é alguém que não morre, porque sempre sobrevive a si próprio; os vivos, aqui, não vivem no seu corpo mas no seu símbolo; Reinado já é imortal – após ter “suicidado” cinco dos seus homens em Same;

4. A nova geração procura heróis da sua idade; os velhos sabem desta ingratidão: a luta alimenta apenas aqueles que a fizeram; os outros pedem pão, paz e emprego;

5. A ossatura de um Estado faz-se de dois pilares: o da segurança e o da justiça; em Timor-Leste, o pilar da segurança ruiu há um ano e ainda convalesce; foi o sistema de justiça que segurou a soberania da jovem nação; é o sistema de justiça que está, agora, a ser bombardeado – pelos órgãos de soberania;

6. Timor-Leste é o país para onde Portugal canaliza mais dinheiro dos seus contribuintes; os sectores estratégicos da Cooperação Portuguesa aqui são a Língua e a Justiça; o silêncio português é preocupante e humilhante; exige-se a Lisboa que relacione, depressa, os ‘cocktail molotov’ lançados contra a GNR no Bairro Pité com a frustração de uma geração integrada, de facto, pelo ‘bahasa’ indonésio; uma Língua de inclusão é uma aposta de sucesso; uma Língua de exclusão é uma bomba-relógio;

7. “Não devo favores a ninguém”, repetiu José Ramos-Horta esta semana; é verdade: nenhum outro político ou partido timorense tem uma legitimidade de 70 por cento do eleitorado desde que, na euforia da independência, Xanana Gusmão foi plebiscitado com mais de 80 por cento dos votos; é surpreendente o receio do Presidente em usar essa legitimidade, agora, sobre aqueles que, ‘hélas!’, a desconseguiram: Xanana Gusmão e Mari Alkatiri;

8. Nenhum outro país lusófono atingiu a independência com um naipe de líderes tão inteligentes, tão honestos e tão carismáticos como Timor-Leste (bispos incluídos); o que eles fizeram disso, porém, demonstra que a soma das partes pode ser muito inferior ao valor individual;

9. As legislativas de há um mês (um mês!) produziram um parlamento mais democrático e equilibrado; a crise actual resulta, apenas, das rivalidades pessoais, insanáveis, de quatro ou cinco homens; é triste que tanto lastro sepulte tanto génio e adie um projecto nacional;

10. Mário Carrascalão, ex-governdador na ocupação, foi o único a sugerir um acto patriótico da geração de ‘75: “Os novos ao poder” (e eles existem); nada de novo, aliás: aconteceu no próprio PSD com a candidatura presidencial de Lúcia Lobato; aconteceu na Letónia nos anos 90; mas em Timor, o mundo e o passado importam pouco;

11. O país é ingovernável e todos o sabem: a Fretilin tem o poder do bloqueio; a oposição tem o poder da inexperiência;

12. Pior: ambos têm o poder da rua.

Exclusivo Diário Económico/Lusa
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Pedro Rosa Mendes, Delegado da Agência Lusa em Timor

10 comments:

Anonymous said...

A PROXIMA MISSAO ESPACIAL AMERICANA, TERA ENTRE OUTROS ASTRONAUTAS, O MAU DASSA RAI E O
MAUN BOOT E O MAUN CATUAS.
QUE ALIVIO!!!!!!!!!!!!!!

Carlos F. Pereira said...

"A crise actual em Timor resulta das rivalidades pessoais, insanáveis, de quatro ou cinco homens; é triste que tanto lastro sepulte tanto génio e adie um projecto nacional."

Acha o senhor Delegado da Agencia Lusa que a crise em Timor-leste e' resultado de "rivalidades pessoais, ..."?

Sera que a presenca australiana naquele territorio nao lhe diz algo?

Anonymous said...

Tropas Australianas provocam mais desassossego em Timor-Leste

FRENTE REVOLUCIONÁRIA DO TIMOR-LESTE INDEPENDENTE
FRETILIN

Comunicado de Imprensa
20 Agosto 2007

Tropas Australianas em Timor-Leste inflamaram uma situação já volátil ao arrancarem bandeiras da FRETILIN e limparem as costas com elas, disse hoje o Vice-Presidente da FRETILIN e deputado Arsénio Bano.

"O deitarem para o chão as bandeiras da FRETILIN é mais outra demonstração da natureza parcial da intervenção militar do governo de Howard em Timor Leste," disse Bano .

Disse que os incidentes ocorreram na parte leste do país em 18 de Agosto, em dois locais diferentes – Suco (região administrativa) Walili na estrada entre Baucau e Viqueque e na aldeia de Alala no distrito de Viqueque – onde os residentes tinham erguido a bandeira da FRETILIN em protesto contra o governo inconstitucional de José Alexandre Gusmão.

"Em Walili dois veículos militares Australianos cheios de soldados rasgaram uma bandeira da FRETILIN que tinha estado erguida na beira da estrada, limparam com ela as costas e continuaram caminho com a bandeira. A bandeira roubada foi devolvida mais tarde nesse dia por um capitão das forças armadas Australianas.

"Na aldeia Alala as tropas Australianas tentarem arrancar da corda uma bandeira da FRETILIN e depois passaram por cima dela .

"Condenamos estas acções extremamente provocatórias que têm inflamado uma situação já volátil. A bandeira da FRETILIN tem um enorme valor simbólico e emocional para o povo de Timor-Leste que vai para além dos membros e apoiantes da FRETILIN.

"Dezenas de milhares de pessoas morreram a lutar sob esta bandeira durante a luta pela independência, incluindo membros das famílias das pessoas que testemunharam quando a deitaram para o chão no Sábado .

"Os soldados Australianos insultaram os nossos mártires e toda a nação Timorense. A sua insensibilidade cultural e arrogância tipificam as operações militares Australianas na região do Pacífico."

Bano disse que os incidentes não podiam ser desculpados como acções de soldados individuais mal orientados.

"Os soldados seguem os exemplos dos seus oficiais e entendem os objectivos verdadeiros da intervenção parcial do governo de Howard em Timor-Leste, que teve um objectivo principal – a remoção do governo democráticamente eleito da FRETILIN e a sua substituição com o governo ilegítimo de José Alexandre Gusmão."

Por mais informação, por favor contacte:

Arsenio Bano (+670) 733 9416, FRETILIN Media (+670) 733 5060 ou

fretilin.media@gmail.com

Anonymous said...

Sim, tambem milhares de pessoas foram massacradas em Aileu, Same e outros sitios por nao terem querido seguir as mentiras dos detentores dessa bandeira!

Anonymous said...

Desculpe mas esta crise nao simplesmente obra do acaso e muito menos de quatro ou cinco politicos. E certo que existem a divergencias e ate odios entre eles mas a questao de fundo esta em mudar o curso da historia em Timor Leste e quem nao sente nao e filho de boa gente. Os timorenses que sentem estao prontos a lutar mais uma vez contra esta ocupacao autorizada,nao pactuaremos e nao permitiremos que a nossa nacao seja mais um fadiver da Australia.A luta continua,mesmo que para isso tenhamos que hipotecar o nosso futuro.

Anonymous said...

Timor Leste: “Líderes da Fretilin devem resolver os problemas em Baucau e Viqueque”

Cornélio Gama L-7: “Líderes da Fretilin devem resolver os problemas em Baucau e Viqueque”

O Chefe da bancada Undertim no Parlamento Nacional, Cornélio Gama “L-7”, afirma que os líderes da Fretilin devem resolver os problemas de violência que se verificaram em Baucau e Viqueque, porque os militantes e simpatizantes do partido Fretilin, nestes distritos mais afectados pela violência, não querem ouvir ninguém.

«Na sexta-feira passada, no encontro com as F-FDTL, PNTL, UNPOL e FSI no aeroporto de Baucau, foi discutido o assunto de como resolver os problemas em Baucau, Lospalos e Viqueque. Foi ainda realizado outro encontro com a população, onde muitas pessoas gritaram contra o facto de os partidos derrotados se terem tornado vencedores e o partido vencedor das eleições se ter tornado derrotado, dando “Vivas” à Fretilin», informou Cornélio Gama L-7 aos jornalistas, no Parlamento Nacional.

Cornélio Gama L-7 explicou que em Baucau algumas casas foram queimadas e as actividades locais ficaram paralisadas, portanto os líderes da Fretilin é que devem resolver esses problemas.

«Quando fiz uma visita a Baucau, ouvi toda a gente a gritar “Viva Fretilin, A Luta Continua”, o que significa que essa gente são militantes da Fretilin. Todo o espaço desde a Vila Antiga até à Vila Nova ficou cheio de bandeiras da Fretilin, e além disso, de casa em casa e ao longo da estrada de Baucau a Laga, grupos da juventude apoiante da Fretilin apedrejavam desordenadamente as viaturas que passavam», informou Cornélio Gama.

Portanto, para resolver o problema, de acordo com o responsável, a liderança da Fretilin tem de descer à base e explicar aos seus militantes e apoiantes, pensando que não há necessidade de uma visita do Presidente da República ou do Primeiro-Ministro. JNSemanário.

Anonymous said...

Continuam alguns a insistir na moda de em vez de se responder politicamente a decisões políticas remetê-las para os tribunais, mas nem por isso as decisões políticas deixam de o ser e é difícil encontrar uma decisão mais política do que a do PR da RDTL ao convidar para formar governo o partido que foi derrotado nas eleições, usurpando assim um legítimo e constitucional direito do partido mais votado que foi a Fretilin.

E é essa decisão política do PR da RDTL que está a ser contestada por largas fatias do eleitorado, pois há 76% do eleitorado de Timor-Leste que não aceita essa decisão.

Aliás a decisão é tão polémica que até o bispo de Baucau – conhecido apoiante não apenas do PR como do actual PM (usurpador do cargo) -, nada mais encontrou para a justificar do que o fraco argumento "O PR não é nenhuma criança, não tomou a decisão por causa de uma insónia “.Até parece que o bispo de Baucau já confunde o PR com o Papa, esse é que é suposto ser infalível.

Assim sendo, atrevo-me a subir a parada e lembro ao bispo de Baucau que a voz do povo é a voz de Deus.

E quanto aos conselhos de se baixar os braços e remeter a queixa para o tribunal, lembro apenas que esse é o mesmíssimo conselho que está a ser dado por gente tão interesseira quanto o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Austrália, o antigo PM da África do Sul do Apartheid, W. Klerk, até mesmo um antigo PM da Nova Zelândia e Director da OMC e of course, toda a media alinhada.

Mas a realidade é que a maioria do eleitorado tem um entendimento perfeito da lei e da sua Constituição e tem a dignidade e a combatividade para lutar contra a usurpação dos seus direitos e pela reposição da ordem democrática e estão a mostrar isso mesmo, para espanto de muita gente e até do bispo de Baucau, que apenas agora parecem estar a acordar para a realidade de os Timorenses serem adultos, terem uma imensa dignidade e uma grande combatividade.

E é melhor que se convençam disto mesmo, senão serão os pesadelos que não lhes darão noites sossegadas.

Anonymous said...

Para que estarem sempre contra a presenca da tropa australiabna em Timor-Leste? Nao foram os politicos timorenses:XG.MA e RH que a solicitaram? Timor-Leste nao tem pessoas a altura na politica e no governo, porque o seu povo foi abandonado durante seculos pelo colonialismo retrogado de Portugal.

Tenha-se em vista que em 1974 nem meia duzia de formados tinhamos!...

Anonymous said...

Campanha porta-a-porta da ADF ao estilo de Timor-Leste

FRENTE REVOLUCIONÁRIA DO TIMOR-LESTE INDEPENDENTE
FRETILIN

Comunicado de Media
22 Agosto 2007

Tropas Australianas nos distritos do leste de Timor-Leste estão engajadas numa campanha porta-a-porta que aparentemente visa intimidar os apoiantes da Fretilin para mudarem a sua lealdade para o novo governo ilegítimo de José Alexandre Gusmão.

Hoje a Fretilin pediu uma investigação independente a queixas escritas por muitos residentes de aldeias Timorenses que dão conta da interferência política de tropas Australianas nas semanas recentes.

Disse o Vice-Secretário-Geral da FRETILIN José Reis, "Uma investigação conjunta envolvendo a UNMIT e a FRETILIN à conduta da Força de Defesa Australiana é a única via para obter a verdade e para a ADF esperar re-estabelecer a credibilidade que em tempos já teve em Timor-Leste.

"A FRETILIN tem em curso o processo de recolher declarações escritas de pessoas que se estão a queixar do comportamento das tropas Australianas.

"Também um jornal local respeitado, o Tempo Semanal relatou hoje um incidente que envolveu o Sr Fernando Soares, um agricultor de 35 anos e conhecido membro da na aldeia de Bucoli, distrito de Baucau."

Soares disse que cerca das 8pm na Quinta-feira 16 Agosto, um grupo de soldados Australianos acompanhados de um intérprete Timorense chegou a sua casa e bateram à sua porta para chamar a atenção.

Um soldado que não se identificou perguntou através do intérprete:
"Está com a FRETILIN ou com a AMP?" (AMP é a coligação informal no Parlamento que apoia o governo inconstitucional de José Alexandre Gusmão)

Soares respondeu que é a muito tempo membro da FRETILIN e que continua a ser. Então disse-lhe o soldado através do intérprete: "Deve apoiar o governo e o CNRT e influenciar esses jovens a sua área a apoiar o governo e o CNRT".

Reis disse, "De certo modo surpreendido e assustado dado já ser uma hora tardia na noite e tendo ouvido antes alguns relatos de acções dos soldados contra apoiantes da FRETILIN o Sr Soares Fernando decidiu não dizer nada mais.

"O soldado e os seus companheiros partiram pouco depois."

Reis disse que há mais de um ano que a FRETILIN se tem queixado deste tipo de interrogatórios pela ADF nas patrulhas em Timor-Leste.

"Durante as primeiras semanas da crise em 2006 depois da sua chegada, ouviu-se soldados a fazerem afirmações como 'Alkatiri não é bom. Gusmão é bom', 'L-7 não é bom. Gusmão é bom' e 'Taur Matan Ruak é um mílícia fodido'."

L-7 é a alcunha de Cornelius Gama, um guerrilheiro veterano da resistência do distrito de Baucau no leste de Timor-Leste. Taur Matan Ruak é o comandante das F-FFTL, a força de defesa nacional Timorense, que é também do distrito de Baucau.

Reis disse "O comportamento das tropas Australianas é inaceitável para tropas que estão como convidadas no nosso país e a quem foi pedido para ajudar a re-estabelecer a lei e a ordem."

Para mais informação: FRETILIN Media (+670) 733 5060 ou fretilin.media@gmail.com

Anonymous said...

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