Wednesday, 23 May 2007

"Num futuro próximo, "terá paz, estabilidade e uma genuína democracia multipartidária".


O representante especial do secretário-geral da ONU em Timor-Leste defendeu hoje que o mais jovem Estado asiático está a tornar-se um país que, num futuro próximo, "terá paz, estabilidade e uma genuína democracia multipartidária".

Numa entrevista à Agência Lusa em Lisboa, onde se encontra em visita oficial, Atul Khare entende existirem "sinais positivos" de para a democracia timorense, embora tenha salientado que as futuras autoridades de Timor-Leste têm um longo caminho a percorrer.

"Quantos países haverá no mundo em que, em cinco anos de independência, alcançaram uma transferência de poderes ordeira e pacífica? Esses são sinais bastante positivos. Mas devemos fazer um balanço para que o país entre nos carris. Mas uma coisa é certa: há muita, mas mesmo muita, coisa por fazer", afirmou o diplomata indiano.

Desdramatizando os "incidentes normais" do pós-independência, obtida em 2002, Atul Khare lamentou, porém, que alguns deles tenham resultado em mortos mas afirmou-se convicto de que os líderes timorenses saberão ultrapassar as dificuldades.

"Acho que os líderes timorenses são sábios e têm sido sábios. Estive já com eles todos. Todos se abraçaram. Em democracia, é salutar que haja opiniões divergentes mas defendo que devem ser apresentadas com respeito, para que se possam encontrar soluções construtivas para os desafios que o país enfrenta", sustentou.

"Timor-Leste não é um paraíso. É um país pobre e que está numa fase de pós conflito", acrescentou, insistindo que cinco anos é pouco tempo para construir um país economicamente forte e democraticamente estável.

"Não acho que tenha existido má governação. Até acho que, dentro do que estava em causa, Timor-Leste portou-se muito bem. A questão é que esse portar bem não foi suficiente", justificou, admitindo, também, que foram cometidos "alguns erros".

"Creio que fomos demasiado optimistas nos nossos objectivos. Mas como podemos esperar que, em cinco anos, se possa ter uma boa governação, um governo forte e uma democracia consolidada? Isso é impossível e nunca aconteceu no mundo", acrescentou.

Sobre as eleições legislativas de 30 de Junho, Atul Khare sublinhou que espera que elas permitam trazer "mais um sinal de amadurecimento" da democracia timorense, lembrando que se apresentam na corrida todos os 16 partidos políticos, quatro deles em duas coligações.

Khare, 48 anos, diplomata de carreira, destacou, por outro lado, que o problema dos bandos armados em Timor-Leste, que tem criado inúmeros incidentes no país, é, assim, uma das consequências desse optimismo exagerado.

"O problema dos gangues é provocado essencialmente pela alta taxa de desemprego, pelo desencanto da juventude e é, de certa maneira, um resquício do passado, porque muito desses grupos foram formados no tempo em que a Indonésia tutelava o país", justificou.

Admitindo que existem em Timor-Leste "sinais de corrupção nalguns departamentos", que não especificou, o representante especial de Ban Ki-moon defendeu, todavia, que é possível combatê-la, uma vez que "ainda não alastrou a todos os níveis da sociedade".

O mesmo se passa em relação aos militares timorenses, salientando que, no processo eleitoral das presidenciais, não houve qualquer influência da classe castrense no escrutínio.

"Os militares não devem envolver-se na política e o papel desempenhado pela PNTL (Polícia Nacional de Timor-Leste) foi muito bom, apartidário. Mas, saliento, não desempenharam qualquer papel político. Aliás, não acredito nisso", defendeu.

Questionado pela Lusa sobre que desfecho terá o caso do antigo comandante da Polícia Militar timorense, major Alfredo Reinado, em fuga desde Agosto de 2006, Atul Khare respondeu existirem duas soluções.

"Reinado tem apenas duas hipóteses, tal como qualquer outra pessoa acusada pelo Ministério Público: ou se entrega voluntariamente à Justiça ou tem de ser trazido perante a Justiça. Sou a favor da primeira", frisou, mostrando-se "bastante impressionado" com a forma como a Justiça timorense tem estado a trabalhar.

2 comments:

Anonymous said...

"num futuro próximo, "terá paz, estabilidade e uma genuína democracia multipartidária".

Ja era sem tempo.
Claro agora e' possivel conseguir-se mesmo isso, uma decocracia nao so multipartidaria como principalmente participativa ao contrario do que acontecia anteriormente com as manias de governacaoes de 50-100 anos.

Margarida said...

Anteriormente - isto é agora - TL tem um Parlamento com deputados de 12 partidos, disse bem, 12 partidos: ASDT, Fretilin; Kota; PD, PDC, PL, PNT, PPT, PSD, PST, UDC/PDC, UDT além de um deputado Independente.

Teve governos onde apesar da Fretilin ter tido 57,37% dos votos, houve SEMPRE Ministros independentes; chegou ao ponto de ter tido sempre como ministro e até como PM alguém como o RH e há caramelos a contestar que TL não seja uma democracia multipartidária? É de bradar aos céus tanta cegueira.