Sunday, 15 July 2007

Timor Leste vai mergulhar numa crise caso não reestruture suas forças de segurança, avalia professora na UnB


José Carlos Mattedi
Repórter da Agência Brasil

Brasília -

A reestruturação das forças de segurança do Timor Leste é o grande desafio do país nos próximos meses. No entanto, esse desafio não é puramente técnico, mas também político. A opinião é da professora de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB), Kelly Cristiane da Silva, que morou nesse pequeno país da Ásia, entre 2002 e 2003, preparando sua tese de mestrado sobre o processo de construção do estado e, no início deste ano, passou três meses fazendo uma pesquisa sobre as eleições presidenciais, que resultou na eleição de José Ramos Horta.

“A fonte de poder do estado é o uso legítimo da força. Se não há polícia, não se consegue fazer com que as pessoas cumpram a lei. Há uma situação de desacato à autoridade, porque a polícia local está desestruturada e não funciona”, destaca a professora. No ano passado, houve uma grave crise na polícia e nas forças armadas do país, o que causou instabilidade. “O estado é o único a poder usar legitimamente a força, impondo sua vontade em nome do bem comum. Porém, o que acontece hoje no Timor é uma grande crise nas forças de segurança, sobretudo na polícia”, sublinha.

Ela conta que, durante os meses em que passou lá este ano, presenciou casos de desobediência às leis que não são coagidos em função da ausência policial. Grande parte da segurança pública, diz Kelly, é de responsabilidade das tropas internacionais da Organização das Nações Unidas (ONU) que, entretanto, tem uma atuação restrita. “Um policial internacional, por exemplo, só pode atirar em legítima defesa. Existem muitas gangues, sobretudo em Díli (capital do país), que atuam por saber da inoperância da polícia”, ressalta. E enfatiza: “Enquanto a polícia não estiver restituída e funcionando adequadamente, as chances de haver instabilidade civil é muito grande”.

A professora da UnB assinala, porém, que a solução para a falta de segurança pública passa necessariamente pela questão política. Ramos Horta (sem partido), que foi eleito no início de maio com o apoio do ex-presidente Xanana Gusmão, terá como um dos principais desafios de sua administração a costura de alianças entre os diferentes partidos – as eleições para o parlamento acontecem no final de junho – para “buscar o mínimo de estabilidade” no país. “Nos próximos meses, Timor enfrentará esse desafio diante do quadro de fragmentação política e de crise nas forças de segurança, podendo resultar em conflito armado”, finaliza.

5 comments:

Anonymous said...

O que a sra. Professora devia ter feito era uma tese com base no “case studie” do Reinado, a fim de concluir se existe efectivamente Estado em Timor-Leste. Quando é o próprio poder politico que desautoriza o poder judicial, não servem para nada as forças policiais, mesmo que organizadas e operacionais. Há forças policiais mais organizadas do que as Australianas? E não estão elas impedidas de actuar contra o Reinado por ordem do presidente da república?
Isto é, é difícil descortinar aqui um Estado, enquanto comunidade estruturada em formas de poder, delimitada por determinado território. A tese ficou-se pela “aparência” da crise, não mergulhou na profundidade da crise: o presidente da república a reboque de um bandido.

Margarida said...

Pôs o dedo na ferida, dado que é o próprio PR a dar este ignóbil exemplo de dois pesos e duas medidas, de total desrespeito pela lei e pela ordem e desautoriza o poder judicial e do governo.

Este caso é exemplar da falta de autoridade do Estado estimulada e executada pelo próprio PR e que actuara exactamente da mesma maneira quando foi PM.

Isto é um perfeito escândalo e é inadmissível.

Anonymous said...

O Governo de Timor-Leste tem um acordo com o Governo Português para que sejam oficiais da polícia portuguesa a ajudarem à formação da polícia Timorense. Parece-me que é de prosseguir essa missão que certamente ajudará a elevar o profissionalismo da polícia Timorense.

Porque tal como ficou provado com o trabalho do STAE, os Timorenses aprendem depressa e são perfeitamente capazes de com profissionalismo desempenharem todas as funções por mais complexas que sejam. Também os seus polícias certamente se empenharão para com a formação adequada desempenharem com todo o brilhantismo as suas funções.

Só é preciso que os deixem com calma e sentido de responsabilidade reestruturarem as suas forças da polícia. Neste aspecto aplaudo todas as medidas para que a polícia Timorense se re-organize e recomece a desempenhar todas as funções que tão necessárias são.

Anonymous said...

Ramos Horta tem que apurar o seu sentido de Estado e deixar de actuar como se fosse o dono da Naccao. Coloque-se no seu lugar Sr. Presidente e nao tente impor a sua vontade a custo do bom senso das demais instituicoes.

Anonymous said...

Ramos Horta tem sido um homem com ideias muito definidas acerca de Timor.
Não sabia que tinha uma costela judaica e outra asiática. Tudo "porreiro", só que as suas ambições políticas não têm limites.
É um político "jinga-jogas", um estratega cujas suas ideias nunca estiveram ligadas, intencionalmente, ao bem dos timorenses.
Ainda não se sabia que destino, político, para Timor-Leste já se movimentava a convidar "amigos" para formar governo, a futura diplomacia como se já fosse o proprietário da meia-ilha.
Lá conseguiu com as "jinga-jogas" gindar-se a PR.
Dentro dele já existiam poucas esperanças de ganhador.
Já dizia por aí, se não ganhasse, que iria dedicar-se a escrever livros e proferir conferência pelo mundo adiante. Rimos gargalhadamente com estas afirmações...
Mas quem é que seria que iria perder tempo a ouvir o Prémio Nobel da paz?
Que liçoes de paz ele iria dar aos que o iriam ouvir depois do falhanço do executivo do 1º Governo de Timor-Leste?
Estas laureações dos Nobeles sempre têm deixado, dentro de mim, muitas dúvidas se de facto as medalhas vão ser penduradas no peito certo ou errado.
Porém no peito certo foi aquela medalha com que foi distinguido Nelson Mandela que conseguiu a paz e a harmonia entre a varieadade de etnias que existem
na África do Sul, onde o progresso não estagna.
Também sempre duvidei nos apoios, monetários, que Ramos Horta teria tido não só para a auto-determinação dos timorenses como na obtenção do Nobel...
Bem é que se em Timor houvesse vulcões e torrões de lava carbonizados que faria do país terra tostada todo o mundo (capitalista) se estaria nas tintas para o Povo Timorenses e para o Nobel Ramos Horta.
Mas Timor tem petróleo!
Houve muitas ajudas, claro que sim e quem ajuda ou dá uma miolas quer depois de volta um pão inteiro... E na questão da costela judaica: "quando um judeu (os que comem carne de suino) oferece uma chouriça quere de volta um porco inteiro!
Estamos â espera de bom trabalho do Dr. Ramos Horta!
Voltaremos ao assunto!
jose_quellhas22@hotmail.com