Thursday, 15 November 2007

Timor-Leste: Magistrada australiana recomenda inquérito a crimes de guerra na morte de cinco jornalistas


Sidney, Austrália, 16 Nov (Lusa) - Uma magistrada estimou hoje que cinco jornalistas sediados na Austrália foram deliberadamente mortos pelas forças indonésias que invadiram Timor-Leste em 1975 e recomendou uma investigação para determinar se foram cometidos crimes de guerra.

A recomendação, na sequência de um vasto inquérito, contradiz a versão oficial dos governos indonésio e australiano que afirmaram que os jornalistas foram mortos acidentalmente no fogo cruzado entre as tropas indonésias e os defensores timorenses na localidade de Balibó a 16 de Outubro de 1975.

A vice-magistrada de New South Wales Dorelle Pinch investiga a morte de um dos jornalistas, Brian Peters.

Ela conclui que ele foi alvejado e/ou esfaqueado deliberadamente, e não no calor da batalha por membros das Forças Especiais indonésias que participaram no ataque a Balibó. Pinch disse que as suas conclusões sobre Peter são válidas para os outros jornalistas.

Pinch sustenta que, segundo a lei australiana, podem ter sido cometidos crimes de guerra e acrescentou que vai levar o caso aos procuradores federais para determinar se podem ser pronunciadas acusações de crimes de guerra.

A magistrada disse que os jornalistas foram mortos à ordem de Yunus Yosfiah, que era então capitão do Exército indonésio e foi depois ministro do governo.

Pinch disse haver "fortes evidências circunstanciais de que a ordem para matar os jornalistas veio do então chefe das Forças Especiais indonésias, general Benny Murdani."

Yosfiah e outros militares indonésios recusaram-se a testemunhar no inquérito, a primeira investigação pública às mortes, que de há muito suscitam acusações de encobrimento assacadas tanto aos indonésios como aos australianos.

2 comments:

Mano Fuick said...

Caros
Nada ira acontecer pois o Governo Australiano e os dois maiores partidos politicos que trocaram governo durante essa epoca e ate hoje estao altamente comprometidos e deitam se na mesma cama com o governo Indonesio quando e sobre a questao de Timor. Se nao tiveram escrupulos em sacrificarem milhares de vidas de timorenses so para se apoderarem do petroleo nao e agora 32 anos depois que irao dar cabo das relacoes diplomaticas por causa de 5 jornalistas mortos a 32 anos. E pena que o cinismo politico e interesses economicos prevalessam ao respeito pela integridade fisica e respeito pela vida humana. E triste mas a realidade e nua e crua.

Anonymous said...

Aceito e concordo plenamente com a posição de se fazer justiça ao caso dos jornalistas mortos em 1975, mas não será certamente Timor que tem de resolver o caso, mas a AUSTRÁLIA pois eram cidadãos australianos, que deve pedir responsabilidades à INDONÉSIA e não TIMOR (que foi a vítima e agente passivo no caso). Será que com esta manobra quer a AUSTRÁLIA criar um conflito entre Timor e Indonésia? Porquê só agora? Quando o Governo Australiano andou estes anos todos a encobrir estas mortes?