Monday, 11 June 2007

Timor-Leste/Eleições: "Gente à volta de Xanana é do pior que há" - Mário Carrascalão


Díli, 11 Jun (Lusa) - O ex-Presidente Xanana Gusmão, líder do Congresso Nacional de Reconstrução de Timor-Leste (CNRT) e candidato às legislativas de 30 de Junho, está rodeado de "gente do pior que há em Timor-Leste", afirmou hoje Mário Viegas Carrascalão.

"Há indivíduos que estão com ele que se chamavam, por exemplo, Francisco UDT, depois chamaram-se Francisco APODETI, hoje são Francisco CNRT", disse à Agência Lusa o presidente do Partido Social Democrata (PSD) e cabeça-de-lista da coligação eleitoral com a Associação Social Democrática Timorense (ASDT).

"São um grupo de pessoas que viram no fascínio de Xanana, na posição que Xanana tem, a possibilidade de viver à sombra dele", acrescentou Mário Carrascalão numa entrevista concedida a meio da campanha eleitoral, acrescentando que "o objectivo número um de Xanana é destruir Mari Alkatiri".

"Não é destruir a FRETILIN", analisou o líder do PSD e ex-governador de Timor durante dez anos, quando o território se encontrava sob a ocupação indonésia.

"Xanana Gusmão está a dar guarida à chamada FRETILIN-Mudança, que vai depois regressar à FRETILIN quando destituírem Mari Alkatiri", secretário-geral do partido maioritário e ex-primeiro-ministro.

"Isso não é saudável aqui para Timor", considerou Mário Viegas Carrascalão.

"Eu gostaria de ver Alkatiri destruído democraticamente, e quando digo destruído é eliminado da cena política em eleições", não de qualquer maneira.

"Mas a última coisa que eu queria era ser acusado de contribuir para a instabilidade em Timor e tenho de arranjar forma de convivência com o próprio CNRT, que tem muita gente, muita gente, de quem não gosto", adiantou Mário Carrascalão.

"Isto engana o povo, que olha a sigla e pensa que este partido lutou pela libertação de Timor", continuou o presidente do PSD pegando num jornal do dia e apontando o artigo de primeira página sobre o CNRT.

"Eu tenho explicado na campanha que, se este partido fosse o antigo CNRT, eu próprio faria parte, todos juntando esforços. Mas não é o caso", destacou o presidente do PSD, que integrou o primeiro CNRT (Conselho Nacional da Resistência Timorense) antes da independência do país.

"Eu não gostaria de ver um herói nacional, um dos pais da nossa unidade nacional, como primeiro-ministro se o CNRT vencer, sofrer as consequências de erros que o destituirão da História como o homem de quem todos os timorenses se orgulham que passa a ser como qualquer outro".

Para Carrascalão, Xanana corre o risco de perder a credibilidade que tinha, porque "para ser governo, é preciso ter-se sensibilidade para assuntos dministrativos e temas sociais. Não é só discursar. É preciso saber como".

"Há com certeza técnicos para fazer as coisas, mas se um líder não acompanhar, é co-responsável. É engolido", prosseguiu, opinando que Alkatiri é odiado em Timor-Leste.

"A maior parte da população odeia-o. Talvez sem razão. Eu não sei", afirmou, esclarecendo que ele liderou um Governo que "nunca disse a Alkatiri que discordava dele ou em que algum ministro ameaçasse sair. Todos querem comer. E isso vai ser pior com o CNRT".

"Xanana é um homem bom demais para fazer o que eu fiz durante dez anos aqui em Timor: usar o princípio de que só morro uma vez mas aquilo que eu entender que está certo, é isso que eu vou fazer", analisou ainda Mário Viegas Carrascalão.

"Xanana parte de piores condições, porque já tem um adversário muito grande que é a FRETILIN-Maputo, ou Radical como muita gente diz (…), e vão mobilizar cada vez com mais força contra ele".

"Xanana é um homem muito sensível, um homem que actua muito emocionalmente. É um homem bom", disse Mário Viegas Carrascalão na entrevista à Lusa.

"Eu não sou como ele. Sou bom mas não sou aquele bom como o Xanana, que chora e comove as pessoas. Para mim, o que é, é. Quem gosta, gosta, quem não gosta, não gosta. Não vou modificar-me para fazer jeitos", declarou.

Sobre a candidatura de Xanana Gusmão, o candidato do PSD às legislativas declarou que "ele é uma pessoa que devia continuar na posição de um pai deste país, e não meter-se em questões de governos".

"Já com José Ramos-Horta eu disse: você é um Nobel da Paz, deve cuidar da paz, da harmonia, e um chefe de governo tem que tomar decisões drásticas. Vai causar muita antipatia".

Para Mário Viegas Carrascalão, o novo Presidente da República "deu o primeiro passo errado" ao promulgar a lei de alteração eleitoral.

"Eu adiava as eleições mas nunca assinaria uma lei contra a minha consciência. O próprio José Ramos-Horta dizia que não concordava com a lei", concluiu.

5 comments:

Margarida said...

Mas todos estes líderes e candidatos apenas sabem dizer mal uns dos outros? É que não divulgam nem ideias, nem propostas, nem projectos e muito menos os seus compromissos e a campanha eleitoral já vai a meio.

E quer queiramos quer não queiramos o único partido que tem apresentado propostas e projectos tem sido a Fretilin. Espero que embora tarde os outros o sigam. É que não tarda acaba a campanha.

Anonymous said...

O Sr. Mario Carrascalao andava ha muito tempo caladinho! O que diz nao e nada de novo, aliaz os bandidos que estao a engrachar os sapatos do Xanas e vice-versa, deviam estar por tras de grades!

SHU PASAKI

Anonymous said...

Mário Carrascalão é um homem honesto e creio que seria a pessoa certa para ocupar um alto assento na governação futura de Timor. Além do mais vem de uma família, tradicional e de prestígio de Timor. Durante o período que foi governador tentou harmonizar o conflito entre Portugal e a Indonésia. Os governantes (ou melhor os políticos) que assumiram o poder em Portugal, depois do 25 de Abril de 1974, pouca importância teriam dado a Timor-Leste. A intenção seria que Timor-Leste fosse anexado à Indonésia. Timor era mais uma componente da "tal" descolonização exemplar. A diplomacia portuguesa trabalhou para essa anexação. Houve reuniões entre diplomatas portugueses Saído de Portugal nos termos de "James Bond" (não digo por agora aonde esses encontros tiveram lugar)e, quase chegaram a um acordo!
Aquele febre do Dr.Mário Soares e do Dr. Almeida Santos era o de se desfazerem, o mais pronto possível, de todos os territórios administrados por Portugal por séculos. Pouco importaria se por lá haveria gente para assumir a liderança, da administração, ou não.
Águas passadas já não fazem girar mós e produzir farinha. Porém esses erros refletiram-se no futuro e vivos no presente. Não sabemos quem foram os fundadores da Fretilin ou de outros partidos que emergiram, em Timor-Leste e todos em busca de açambarcarem o poder. Gente que não estava em condições para gerirem um pequeno território que a Indonésia nunca teve a ambição de o possuir.
A Fretilin apoiada por Moçambique (conforme Mário Carrascalão o afirmou ao jornalista Nuno Rocha a sua linha política era marxista) e a União Soviética, bem pretendia afrontar os Estados Unidos aproximar-se de Timor-Leste. Seria uma "Baia dos Porcos" de Cuba na Ásia Oriental.
A Indonésia outro remédio não teve (embora em condições muito crueis) invadir Timor (certamente apoiada pelos Estados Unidos). Os agentes da Fretilin (no exterior) incentivaram os guerrilheiros à luta e pouco se interessavam se eram carne para balas ou não.
Mário Carrascalão, surge pouco depois como um moderador. E foi-o! A Indonésia bem poderia ter colocado um homem de linha, indonésio, dura e as consequências terem sido mais graves. Acreditamos, plenamento que Mário Carrascalão com tempo procuraria que Timor-Leste obtivesse uma autodeterminação, embora federado à Indonésia, em que ele próprio se governassse com as fontes naturais que possui.
O "massacre do Cemitério de Santa Cruz" teria sido evitado e outras mortandades que viriam a surgir depois. Digam o que pretenderam dizer os agentes da Fretilin, foram os grandes culpados nesse genocídio, porque de fora do terreno não se cansavam de manipular o povo para a luta. Eles não estavam lá! Que morresse quem morresse e mais que fosse lhes traria mais simpatias do exterior e atingir os seus objectivos.
Souberam com mestria manipular a comunicação social que as suas parangonas publicadas nas primeiras páginas dos jornais, sensibilizaram o público e daí aquilo que veio acontecer e já sabido de todos.
Mário Carrascalão, que não conhecemos foi um líder!
Pelo que lemos a seu respeito é um homem sem ambições políticas e ama os timorenses como ele é.
José de Alguidares de Cima

Anonymous said...

Quero deixar uma nota sobre a afimação do Sr. José Alguidadres de Cima, que é o seguinte: Se não conhece o que se passou sobre Timor aconselho não fazer as afimações que fez.
Obrigado.

Manuel Carlos said...

Eu penso e logo existo, por isso, por existir TENHO NOME QUE PREZO e nao sou "ANONYMOUS", alem disso digo o que tenho a dizer com conhecimento de causa : o senhor Joseh de Alguidares de Cima desta vez ateh acertou.
Manuel Carlos