Sunday, 20 January 2008

Adolfo Nicolás é o novo "Papa Negro"


O novo superior geral da Companhia de Jesus é espanhol

O novo superior geral da Companhia de Jesus, o espanhol Adolfo Nicolás, já coordenou a acção jesuíta em Timor-Leste e a sua larga experiência na Ásia dá-lhe fama de "homem do mundo".
"Trata-se de alguém que experimentou os dois mundos que se querem unir: a realidade dos cristãos na Ásia e a realidade cristã na Europa", disse à Lusa o padre Miguel Gonçalves Ferreira, do Centro Universitário Padre António Vieira.

Ressalvando ser ainda "cedo para ver" eventuais diferenças com o antecessor, o holandês Peter-Hans Kolvenbach, Gonçalves Ferreira disse que a experiência asiática do novo Prepósito Geral é relevante por ser a de alguém "que compreende os dois mundos e de relevo porque um dos objectivos para a Companhia de Jesus e para toda a Igreja é o crescimento dos cristãos na Ásia".

O novo superior geral, 71 anos, hoje eleito em Roma, passou 46 anos em missão na Ásia, sobretudo no Japão, onde era professor de Teologia na prestigiada Universidade Sophia, em Tóquio.

Desde 2004, desempenhou ainda funções de moderador da Conferência Jesuíta da Ásia Oriental e da Oceânia, com incidência em Timor-Leste e nas Filipinas.

Na votação de hoje, entre os 226 delegados, estiveram os padres portugueses Nuno da Silva Gonçalves (superior da província portuguesa), Carlos Carneiro (mestre de noviços) e Manuel Morujão (conselheiro do anterior superior geral).

Na eleição esteve também o superior regional de Moçambique, o padre brasileiro Carlos Giovanni Salomão.

Adolfo Nicolás, o "Papa Negro" que é o 29 sucessor do também espanhol Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, vai chefiar a mais poderosa ordem da Igreja Católica e a que, entre as congregações masculinas, detém o maior número de membros: 19.126.

Nos últimos anos também os jesuítas foram afectados pela diminuição geral de vocações, tendo passado de 35.920 membros na década de 1960, para os actuais 19.126.

Na província portuguesa, que inclui Angola e Moçambique, há cerca de 250 jesuítas, dos quais 170 residem em Portugal.

Pouco conhecido no Vaticano, falando quatro idiomas, o espanhol é visto como um "homem universal" que estudou na Europa e praticou na Ásia, condições essenciais ao "Papa Negro" (pelas vestes da ordem), que tem sido visto como alguém que representa a "universalidade" e o multiculturalismo.

A seguir nos próximos tempos estão as relações com o Vaticano, depois do papa Bento XVI ter deixado claro ao seu antecessor que espera que os jesuítas reafirmem a sua "adesão total à doutrina católica" e, em particular, a "alguns pontos nevrálgicos atacados hoje em dia pela cultura secular".

O primeiro acto do novo superior geral será, no domingo, a celebração de uma missa na igreja romana de Gesú.