Thursday, 7 June 2007

GNRs insatisfeitos com prolongamento da missão em Timor





















O Regimento de Infantaria, a unidade de origem do Subagrupamento Bravo com que a GNR participa na missão integrada das Nações Unidas em Timor-Leste (UNMIT), foi ontem informado de que as Nações Unidas não autorizam qualquer rotação das suas forças no país, durante o mês de Julho.

A GNR tem actualmente em Timor-Leste 220 militares e a rotação prevista para 14 de Julho devia abranger 131 elementos.

«Isso afecta apenas a unidade portuguesa, porque mais nenhuma das forças da UNMIT tinha rotação de contingente», afirma fonte do Regimento de Infantaria.

«O descontentamento tem a ver com a extensão de uma missão que tem sido muito exigente e com a necessidade de cancelar todas as marcações de férias feitas com as famílias em Portugal», adiantou a mesma fonte, que pediu para não ser identificada.

O Subagrupamento Bravo da GNR é uma das unidades de polícia formadas (FPU) que têm a cargo áreas especiais de intervenção no âmbito da UNMIT.

Além da FPU portuguesa, estão em Timor-Leste forças policiais autónomas do Paquistão, da Malásia e do Bangladesh, além dos mais de mil oficiais, de quase meia centena de países, que integram a Polícia das Nações Unidas (UNPol).

É o segundo adiamento de uma missão que começou, para esses militares, em Novembro, e que estava inicialmente previsto terminar a 27 de Maio.

Um primeiro adiamento de rotação para o início de Julho foi anunciado em Abril, depois da marcação das eleições legislativas timorenses para 30 de Junho.

O adiamento da rotação foi decidido em Nova Iorque pelo departamento de Operações de Apoio à Paz, na sequência da visita do representante-especial do secretário-geral das Nações Unidas em Timor-Leste, Atul Khare.

Até ao momento, a Lusa não obteve qualquer comentário do chefe da UNMIT, nem do comando do Subagrupamento Bravo em Díli.

Crimes indonésios «perdoados» como os da PIDE, diz Ramos-Horta



José Ramos-Horta referiu «a própria experiência portuguesa em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau», quando questionado sobre a impunidade dos culpados por crimes durante a ocupação indonésia de Timor-Leste e pela violência em torno do referendo pela independência do território, em 1999.

O Presidente timorense, que quarta-feira regressou a Díli, foi entrevistado pela Lusa em Jacarta no final da sua primeira visita oficial ao estrangeiro desde que sucedeu a Xanana Gusmão na chefia do Estado.

«Eu e Xanana tivemos a preocupação ao longo destes anos de não esfregar as feridas», explicou Ramos-Horta.

«Veja a experiência da África do Sul. Quantos brancos e negros sul-africanos serviram o regime do 'apartheid' e quantos foram levados à justiça? Nenhum», relembrou Rmos-Horta.

«Veja a própria experiência portuguesa, em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau. Felizmente que os crimes cometidos por militares portugueses foram diminutos. Não se compara com a situação em Timor-Leste. Mas crimes cometidos pela PIDE em África» foram encarados da mesma forma, declarou José Ramos-Horta.

«Após a independência, os governantes moçambicanos andaram a reclamar o julgamento dos 'pides'? Não. Queriam a normalização de relações com Portugal. E Portugal queria o mesmo», defendeu.

«Havia outras prioridades para Moçambique, Guiné-Bissau e Angola do que estar a perseguir a justiça», acrescentou o Presidente da República.

«O nosso caso é muito igual, com a agravante de que partilhamos uma fronteira com um vizinho de 240 milhões de pessoas», disse.

«Por outro lado, temos que compreender a complexidade da situação na Indonésia», referiu o chefe de Estado timorense.

«Promover ou exigir um tribunal internacional para julgar os crimes de 1999 e dos 24 anos (de ocupação) vai colocar em perigo e subverter o processo de normalização de relações com a Indonésia», considerou Ramos-Horta.

Uma insistência timorense no julgamento dos responsáveis por crimes cometidos até 1999 «pode causar uma reacção no sector militar indonésio, que seria altamente nociva para os interesses de Timor-Leste», afirmou José Ramos-Horta.

Além disso, «estaríamos a contribuir para desestabilizar a frágil democracia indonésia, porque os militares ainda são fortes».

«As feridas são recentes», sublinhou o Presidente da República.

«Os indonésios saíram de Timor-Leste humilhados, depois de milhares de soldados perderem a vida durante 24 anos em Timor-Leste», afirmou.

«Não é isso humilhação suficiente, serem forçados a sair? Não podemos ser reféns do passado e temos que seguir em frente com coragem», afirmou Ramos-Horta na terça-feira, em conferência de imprensa conjunta, após reunião com o seu homólogo indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono.

José Ramos-Horta elogiou o trabalho da Comissão de Verdade e Amizade, criada pelos dois países, que decidiu deixar ao critério dos governos de Díli e de Jacarta a concessão de amnistias para quem for considerado culpado dos crimes de 1999 e anteriores.

Timor-Leste e Indonésia «concordaram em resolver os problemas do passado dentro dos princípios de amizade e da reconciliação e não através da justiça, neste contexto», declarou Susilo Bambang Yudhoyono na conferência de imprensa conjunta, quando questionado pela Lusa sobre a concessão de amnistias.

Ramos Horta e Susilo alargam mandato da Comissão da Verdade


Ramos Horta e Susilo alargam mandato da Comissão da Verdade
Timor-Leste e Indonésia alargaram o mandato da Comissão da Verdade e Amizade (KKP) por mais seis meses, anunciaram hoje em Jacarta os dois chefes de Estado.


O anúncio foi feito após uma reunião bilateral em que a educação, o investimento e a delimitação de fronteiras estiveram também na agenda.

«Não podemos ser reféns do passado e temos que seguir em frente com coragem», afirmou José Ramos Horta na conferência de imprensa conjunta após a reunião com o Presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, na sua primeira viagem oficial ao estrangeiro desde a eleição para a chefia do Estado, em Maio.

A KKP, que tem comissários de ambos os países, foi criada em Agosto de 2005 para apurar as responsabilidades na violência em Timor-Leste antes do referendo pela independência e nas semanas após o anúncio da vitória do «sim», que terão provocado mais de mil vítimas e a destruição de grande parte da capital timorense.

A KKP decidiu, em Janeiro de 2007, deixar ao critério dos governos de Díli e de Jacarta a concessão de amnistias para quem for considerado culpado desses crimes.

Questionado pela Lusa sobre esta amnistia, o Presidente indonésio declarou que Timor-Leste e Indonésia «concordaram em resolver os problemas do passado dentro dos princípios de amizade e da reconciliação e não através da justiça, neste contexto», declarou Susilo Bambang Yudhoyono.

«Foi dentro desse espírito que decidimos criar a KKP para lidar com o assunto», acrescentou o Presidente indonésio na conferência de imprensa no Palácio Presidencial.

José Ramos Horta concordou com a posição do chefe de Estado indonésio e elogiou «a coragem, o profissionalismo e a integridade dos comissários» que tomaram em mãos a tarefa que lhes foi atribuída por Susilo Susilo Bambang Yudhoyonon e pelo ex-Presidente Xanana Gusmão.

Wednesday, 6 June 2007

Caros leitores:

Aqui fica a informação de que só serão publicados comentários que venham contribuir para um debate positivo, quer agrade ou não . Está nas mão dos nossos leitores manterem discussão , acesa, positiva, constructiva, mesmo que seja para dizer que esta tudo errado, mas que o diga com dignidade e respeito. O que não toleramos aqui são ataques pessoais nem uso de palavras insultuosas. Porque no dia em que publicarmos esse tipo de coisas passamos a ser um blog indesejavel,vulgar, igual a muitos outros que se viram forçados a encerrar, e creio que isso não nos interessa. Como disse , se um comentário é enviado para insultar, esqueça senhor autor desse comentário porque o mesmo não será publicado. Este blog existe para publicarmos noticias sobre Timor e de interesse para os que se interessam por Timor-Leste.

O " Aqui é Timor-Leste" não é veículo para propaganda política nem lavar de ROUPA SUJA ou ataques pessoais , intrusão na vida privada de cada cidadão, e nem se vai deixar ser manipulado politicamente.


Conto com a vossa compreensão e ajuda.

JRodrigues Sarmento ( com orgulho por não utilisar um pseudónimo porque as minhas acções não são camufladas)

Timor-Leste: Ex-PR Xanana Gusmão agradece apoio da CPLP durante presidência


Lisboa, 05 Jun (Lusa) - O ex-presidente de Timor-Leste enviou ao secretário-executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) uma mensagem de agradecimento pela "amizade" e "apoio" manifestado pela organização lusófona durante a sua presidência (2002/07).

"Ao terminar o meu mandato como Presidente de Timor-Leste (a 20 de Maio último) não poderia deixar de agradecer a consideração e fraterna amizade que me concedeu durante este período e que permitiu reforçar os laços prestigiosos entre os países irmãos", escreveu Xanana Gusmão a Luís Fonseca.

Na mensagem, hoje divulgada pela CPLP, Xanana Gusmão disse guardar "as provas de amizade e solidariedade da comunidade internacional, que sempre acompanhou Timor-Leste nos momentos mais difíceis".

"(A comunidade internacional) deu também o seu apoio incondicional aos nossos primeiros passos de consolidação democrática, especialmente a CPLP que Vossa Excelência representa", acrescentou.

No fim da mensagem, Xanana Gusmão sublinhou estar "convicto" de que o seu sucessor, José Ramos-Horta, empossado também a 20 de Maio último, irá "fomentar os laços fraternos" entre os oito Estados membros da CPLP - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

"Estou convicto de que o meu sucessor irá fomentar estes laços fraternos que unem os Povos irmãos e que irá manter as relações de cooperação bilateral, com vista ao benefício mútuo dos países da CPLP", concluiu.

Xanana Gusmão foi o primeiro presidente de Timor-Leste, tendo o seu mandato expirado a 20 de Maio último, após a tomada de posse de José Ramos-Horta, que venceu as eleições presidenciais timorenses de 09 de Abril e de 09 de Maio passado.

O ex-presidente, ao deixar a presidência de Timor-Leste, tornou-se entretanto líder de uma nova força política timorense, o Conselho Nacional da Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), e assumiu-se já como candidato à chefia do governo, que será escolhido nas eleições legislativas de 30 deste mês.

Ramos Horta e Susilo alargam mandato da Comissão da Verdade


Timor-Leste e Indonésia alargaram o mandato da Comissão da Verdade e Amizade (KKP) por mais seis meses, anunciaram hoje em Jacarta os dois chefes de Estado.


O anúncio foi feito após uma reunião bilateral em que a educação, o investimento e a delimitação de fronteiras estiveram também na agenda.

«Não podemos ser reféns do passado e temos que seguir em frente com coragem», afirmou José Ramos Horta na conferência de imprensa conjunta após a reunião com o Presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, na sua primeira viagem oficial ao estrangeiro desde a eleição para a chefia do Estado, em Maio.

A KKP, que tem comissários de ambos os países, foi criada em Agosto de 2005 para apurar as responsabilidades na violência em Timor-Leste antes do referendo pela independência e nas semanas após o anúncio da vitória do «sim», que terão provocado mais de mil vítimas e a destruição de grande parte da capital timorense.

A KKP decidiu, em Janeiro de 2007, deixar ao critério dos governos de Díli e de Jacarta a concessão de amnistias para quem for considerado culpado desses crimes.

Questionado pela Lusa sobre esta amnistia, o Presidente indonésio declarou que Timor-Leste e Indonésia «concordaram em resolver os problemas do passado dentro dos princípios de amizade e da reconciliação e não através da justiça, neste contexto», declarou Susilo Bambang Yudhoyono.

«Foi dentro desse espírito que decidimos criar a KKP para lidar com o assunto», acrescentou o Presidente indonésio na conferência de imprensa no Palácio Presidencial.

José Ramos Horta concordou com a posição do chefe de Estado indonésio e elogiou «a coragem, o profissionalismo e a integridade dos comissários» que tomaram em mãos a tarefa que lhes foi atribuída por Susilo Susilo Bambang Yudhoyonon e pelo ex-Presidente Xanana Gusmão.

Tuesday, 5 June 2007

Timor-Leste procura substituta para ConocoPhillips


A Autoridade Designada do Mar de Timor (ADMT) para a área conjunta de desenvolvimento petrolífero procura um operador para substituir a ConocoPhillips e manter o bloco Elang-Kakatua-Kakatua-Norte (EKKN) em produção, segundo um anúncio publicado no seu sítio na Internet.

A ConocoPhillips comunicou à ADMT a intenção de interromper a produção no Elang-Kakatua, um campo antigo e em curva descendente de produção, a partir de 27 de Junho. A Autoridade concedeu ao operador norte-americano um prazo até 27 de Julho para preparar o campo para a continuação da exploração no futuro por outras companhias.

A ADMT foi criada pela Austrália e Timor-Leste para gerir a exploração na área do Tratado do Mar de Timor, conhecida como Área de Desenvolvimento Petrolífero Conjunto (ADPC), situada no Mar de Timor entre os dois países, que inclui os campos de Elang-Kakatua e o grande campo do Bayu-Undan, também operado pela ConocoPhillips.

A ADMT autorizou a interrupção temporária da exploração em todos os poços do EKKN enquanto recebe, até 01 de Junho, propostas de companhias interessadas em analisar o potencial de desenvolvimento e recuperação do primeiro campo a entrar em exploração da JPDA.

A descoberta de petróleo em Elang-1 aconteceu em Fevereiro de 1994 e o tamanho do campo foi confirmado em Dezembro desse ano pela perfuração do poço Kakatua-1, numa estrutura separada mas relacionada. Kakatua Norte-1 foi descoberto em Janeiro de 1997.

A produção começou em Julho de 1998. Inicialmente, o objectivo de produção de 32.500 barris/dia foi conseguido, «antes de a produção começar um declínio natural», explica a nota da ADMT.

No início do ano 2000, uma nova perfuração em Elang-1 e uma renovação de Elang-2 permitiram uma produção combinada de cerca de 20 mil barris/dia.

Os quatro poços activos do EKKN produzem actualmente cerca de dois mil barris/dia de petróleo.

De Julho de 1998 a Fevereiro de 2007, o campo produziu um total acumulado de 31 milhões de barris de petróleo, de uma reserva inicial de 33 milhões de barris, o que representa quase 96% de recuperação das reservas estimadas do Elang-Kakatua.

Para o ano de 2007, a ADMT prevê para o EKKN uma produção de 767 mil barris de petróleo e de gás natural, e em 2008 antecipa uma produção de 620 mil barris.

A ConocoPhillips é o operador do campo (57,36%), em parceria com a Santos Ltd. (21,43%) e a Inpex Holdings Inc. (21,21%).

A Lusa procurou sem resultado, nos últimos dois dias, obter um comentário do director executivo da TDSA, José Lobato.

Chefe da missão da ONU prevê coligações pós-eleitorais

O chefe da missão das Nações Unidas em Timor-Leste (UNMIT) afirmou hoje que deverá ser necessária uma coligação pós-eleitoral após o sufrágio de 30 de Junho no país, dada a improbabilidade de uma maioria clara de um partido.

"Para mim é claro que, com 14 partidos políticos na disputa [das eleições parlamentares], as possibilidades de formar um governo de coligação têm de ser examinadas muito cautelosamente", afirmou hoje Atul Khare, numa conferência de imprensa em Nova Iorque, citado pela agência de informação das Nações Unidas.

"Parece praticamente descartado que qualquer partido político tenha uma maioria clara", adiantou o mesmo responsável, que salientou ainda a necessidade de fortalecer os sectores da Justiça, Governo e Segurança, tendo em conta o papel futuro do exército e da polícia.

"Acreditamos que o novo governo, os novos líderes, estejam numa posição de fazer face a estes desafios, com o apoio das Nações Unidas, tal como têm sido nos últimos anos", disse Atul Khare.

Para o responsável da UNMIT, o acordo recentemente assinado entre as diferentes forças políticas, em que se comprometem a aceitar os resultados e a seguir um código de conduta na campanha, vai facilitar o processo eleitoral.

O acordo, disse Khare, "é um bom augúrio para o desenvolvimento de uma democracia liberal e genuinamente multipartidária em Timor-Leste".

O responsável afirmou que as eleições parlamentares deverão correr de forma pacífica, tal como as presidenciais, das quais fez um balanço positivo.

As duas voltas da eleição presidencial, afirmou, "correram muito melhor do que qualquer um de nós poderia ter esperado".

Timor-Leste: PR indonésio quer mais investimento em Timor-Leste


O Presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono defendeu hoje «o reforço do investimento e da cooperação da Indonésia com Timor-Leste», após um encontro com o seu homólogo timorense, José Ramos-Horta.

«As relações entre os dois países são boas mas nós queremos reforçar a cooperação em várias áreas», afirmou Susilo Bambang Yudhoyono, durante a conferência conjunta dos dois chefes de Estado.

Os dois Presidentes tiveram durante a manhã uma reunião de trabalho, principal ponto da agenda da primeira visita ao estrangeiro do novo chefe de Estado timorense.

«O comércio com Timor-Leste é bom mas gostaríamos de reforçar esta relação», acrescentou o Presidente indonésio, citando o exemplo dos principais investidores da Indonésia no país, como a companhia aérea Merpati, a empresa de combustíveis Pertamina ou o banco Mandiri.

«Queremos que mais empresas indonésias invistam em Timor-Leste e sugeri ao Presidente Ramos-Horta que os empresários timorenses e indonésios deviam ter uma relação mais próxima», disse.

Como lembrou o Presidente timorense, «entre 70 a 80% do comércio externo de Timor-Leste é com a Indonésia».

Susilo Bambang Yudhoyono referiu saber que o bahasa indonésio «é uma língua de trabalho em Timor-Leste» e defendeu a criação, em breve, de um departamento de língua na Universidade Nacional timorense.

Sobre a situação de segurança na fronteira entre os dois países, o Presidente indonésio explicou que a decisão de a Indonésia fechar os postos da fronteira terrestre, que aconteceu duas vezes este ano, tem por objectivo «evitar que as relações bilaterais sejam afectadas».

Yudhoyono adiantou que os dois países estão a estudar mecanismos que permitam manter o controlo apertado das fronteiras sem impedir o trânsito «tradicional» da fronteira comum.

O traçado das fronteiras terrestres de Timor-Leste com a Indonésia foi um dos pontos na agenda do encontro bilateral de hoje.

Susilo Bambang Yudhoyono declarou que apenas resta chegar a acordo sobre três por cento do traçado, embora parte desta linha esteja politicamente resolvida, faltando concretizá-la no terreno, conforme explicou à Lusa o principal negociador timorense na matéria, Arcangelo Leite.

«Falta apenas chegar a acordo sobre um por cento das fronteiras terrestres com a Indonésia», afirmou Arcangelo Leite, director nacional da Administração do Território.

As negociações da definição das fronteiras terrestres entre Timor-Leste e a Indonésia estiveram paradas quase um ano, após uma ronda negocial em Dezembro de 2005, em parte devido à crise política e militar de 2006 em Timor-Leste, explicou Arcangelo Leite.

«Tecnicamente, não se fez nada mesmo quanto à parte que foi resolvida politicamente» na negociação anterior, em Surabaia, afirmou o responsável.

Um dos últimos pontos de discórdia na delimitação fronteiriça entre os dois países é no enclave timorense de Oécussi, onde a Indonésia disputa o ilhéu de Fatu Sinai («Pedra Sinai», traduzindo à letra da língua tétum), a que os indonésios chamam Batek, no subdistrito de Pessabe.

Na conferência de imprensa de hoje, nenhum dos chefes de Estado fez referência ao esperado acordo sobre Fatu Sinai, «um ilhéu do tamanho de um campo de futebol», como diz Arcangelo Leite.

Timor-Leste: PR Ramos-Horta lamenta falta de disciplina da polícia


Díli, 04 Jun (Lusa) - O Presidente de Timor-Leste lamentou hoje a "falta de disciplina" da polícia timorense, após alguns agentes terem alegadamente morto dois simpatizantes de um partido político durante a campanha para as eleições legislativas de 30 deste mês.

Falando aos jornalistas antes de partir para Jacarta, onde fará a sua primeira visita oficial ao estrangeiro desde que assumiu a presidência de Timor-Leste, a 20 de Maio último, José Ramos-Horta sublinhou que a morte de dois simpatizantes do Conselho Nacional da Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), do ex-chefe de Estado Xanana Gusmão, "embaraçou o país" e que os responsáveis serão "duramente punidos".

Hoje, as forças de paz das Nações Unidas intensificaram as acções de segurança em Viqueque, a sudeste de Díli, receando que a morte dos dois apoiantes da recém-criada CNRT possam acirrar os ânimos e aumentar actos de violência, refere o diário australiano Sydney Morning Herald.

Domingo, a Polícia da ONU (UNPol) disparou granadas de gás lacrimogéneo em Viqueque para pôr cobro a confrontos entre apoiantes do CNRT e da Fretilin, na sequência de uma manifestação do partido de Xanana Gusmão naquela localidade, considerada bastião da antiga força no poder.

Alfonso "Kuda Lay" Guterres, um dos seguranças de Xanana Gusmão, morreu após ter sido atingido por um tiro alegadamente disparado por um agente da polícia.

Pouco depois, outro apoiante do CNRT, de 24 anos, foi morto e um jovem de 16 anos ficou ferido quando tentavam transportar o corpo de "Kuda Lay" para Ossu, tendo, em ambos os casos, sido atingidos por balas, aparentemente disparadas pela polícia.

"As primeiras investigações indicam que a PNTL (Polícia Nacional de Timor-Leste) disparou os tiros para controlar uma multidão numa barricada numa estrada próximo de Ossu", disse Eric Tan, responsável da missão das Nações Unidas em Timor-Leste.

Pouco depois dos incidentes, as forças de estabilização australianas, que partilham com a UNPol a segurança do país, enviaram para a região um pelotão para apoiar as operações.

Hoje, Ramos-Horta afirmou que a polícia timorense "falhou" na sua missão de proteger e garantir a segurança da população" durante o período eleitoral das legislativas.

"Vários membros da PNTL estão envolvidos em actos criminosos. Podemos, assim, constatar que a indisciplina é ainda muito grande dentro da corporação. Mas não haverá impunidade", avisou o novo chefe de Estado timorense.

A reforma das forças de segurança em Timor-Leste é considerada "vital" para o futuro do país, sobretudo depois dos confrontos e do clima de intimidação que, desde Maio de 2006, têm assolado o jovem Estado, que acedeu à independência há cinco anos.

Xanana Gusmão, que chefiou o Estado timorense entre 2002 e 2007, condenou já que a morte de dois apoiantes do CNRT, partido que segundo observadores locais poderá vir a fazer frente à Fretilin nas legislativas do próximo dia 30, declarando tratar-se de um "dia triste" para Timor-Leste.

Hoje, Xanana Gusmão juntou-se a outros líderes partidários para apelar à paz, advertindo que os responsáveis pelos actos de violência "não querem assistir a um processo eleitoral pacífico".

"Apelo mais uma vez a todos os que residem no nosso jovem país para desistirem da violência. A violência só nos trará problemas", afirmou o antigo Presidente e actual candidato a primeiro-ministro.

Entretanto, Eric Tan, da UNPol, adiantou já hoje que a polícia continua a investigar o paradeiro do agente que acredita ser o responsável pela morte do segurança de Xanana Gusmão, negando que o antigo Presidente timorense tenha sido alvo de uma tentativa de homicídio.

"Estamos a investigar seriamente os dois incidentes, mas nenhum deles sugere que tenha existido um atentado à vida de (Xanana) Gusmão", afirmou Eric Tan, que apelou aos líderes partidários para que solicitem aos seus apoiantes que promovam a paz e se abstenham de actos violentos.

Por seu lado, a Fretilin, liderada por Francisco "Lu Olo" Guterres, candidato presidencial derrotado nas eleições de 09 de Abril e 09 de Maio passados, condenou já os actos de violência e apelou a uma investigação aos incidentes de Viqueque, mas lembrou que a vítima mortal "estava armada".

"É também precisa uma investigação para que seja explicado porque é que um elemento da campanha de um partido político estava armado e quem lhe forneceu a arma", afirmou o secretário-geral da Fretilin, Mari Alkatiri, antigo primeiro-ministro (2002/06), que não comentou o facto de a vítima ser um dos membros da segurança de Xanana Gusmão.

Timor-Leste: PR Ramos-Horta em Jacarta com estudantes e um rochedo na agenda


Pedro Rosa Mendes, da Agência Lusa

Jacarta, 04 Jun (Lusa) - José Ramos-Horta chegou hoje a Jacarta, Indonésia, para a sua primeira visita ao estrangeiro como Presidente da República timorense, com a delimitação das fronteiras terrestres e a situação dos estudantes na agenda de encontros bilaterais.

O Presidente da República de Timor-Leste, que chegou a Jacarta cerca das 16:30 (09:00 em Lisboa), foi directamente para o Cemitério dos Heróis de Kalibata, onde estão sepultados aqueles que receberam uma das condecorações nacionais da República - incluindo os militares indonésios mortos durante a ocupação de Timor-Leste.

O cemitério foi inicialmente construído em 1953.

José Ramos-Horta encontrou-se depois com a comunidade timorense na capital indonésia, oportunidade para contactar e ouvir alguns dos muitos estudantes timorenses em Jacarta.

Há actualmente 1646 estudantes timorenses na Indonésia, sobretudo nas áreas de Engenharia, Economia e Agronomia, segundo o adido de Educação da embaixada de Timor-Leste em Jacarta, Paulino Henrique Ribeiro.

Na terça-feira, José Ramos-Horta abordará no encontro bilateral com as autoridades indonésias, a simplificação da concessão de vistos e a atribuição de bolsas aos estudantes timorenses, explicou o adido de Educação timorense.

Não existe nenhum programa específico de bolsas para timorenses na Indonésia, desde que terminou em 2005 o apoio concedido durante cinco anos pela Fundação Calouste Gulbenkian a 150 estudantes, explicou Paulino Henrique Ribeiro à Lusa.

"Os estudantes sobrevivem pelos seus próprios meios", acrescentou o adido, sublinhando que a primeira despesa é com o visto indonésio.

O visto ordinário para seis meses na Indonésia custa cerca de 250 dólares e a renovação, com a obtenção de uma autorização de residência pelo ministério da Educação indonésio, custa mais o equivalente a 60 dólares, uma soma avultada para o rendimento médio das famílias timorenses.

Outro assunto nas discussões bilaterais durante a visita oficial de José Ramos-Horta é a delimitação das fronteiras terrestres, um processo negocial e de trabalho técnico, iniciado ainda antes da independência de Timor-Leste, em 2002.

"Falta apenas chegar a acordo sobre um por cento das fronteiras terrestres com a Indonésia", declarou à Lusa o principal negociador timorense, Arcanjo Leite, director nacional da Administração do Território.

"Existem condições para que durante esta visita terminemos a questão do ponto de vista político, para depois definir no terreno", no âmbito da subcomissão técnica de delimitação e regulação de fronteiras.

As negociações da definição das fronteiras terrestres entre Timor-Leste e a Indonésia estiveram paradas quase um ano, em parte devido à crise política e militar de 2006, explicou Arcanjo Leite.

Em Dezembro de 2005, delegações dos dois países encontraram-se em Surabaia, Indonésia. No seguimento dessa reunião, um outro encontro bilateral devia ter acontecido em Díli, mas nunca chegou a realizar-se.

Nessa altura, havia desacordo sobre quatro por cento da extensão das fronteiras comuns e a reunião de Surabaia permitiu um acordo político sobre três por cento.

"Tecnicamente, no entanto, não se fez nada mesmo quanto à parte que foi resolvida politicamente", explicou Arcanjo Leite.

"Politicamente não há desacordo, há apenas diferenças de interpretação da aplicação dos tratados de 1904 e de 1915" entre Portugal e a Holanda, as antigas potências coloniais das duas partes da ilha de Timor.

Um dos últimos pontos de discórdia na delimitação fronteiriça entre os dois países é no enclave timorense de Oécussi, onde a Indonésia disputa o ilhéu de Fatu Sinai ("Pedra Sinai", traduzindo à letra da língua tétum), a que os indonésios chamam Batek.

"É um rochedo do tamanho de um campo de futebol, desabitado mas onde desde sempre as populações baiqueno de Oécussi realizam todos os anos cerimónias tradicionais em Fatu Sinai", explicou Arcanjo Leite.

O ilhéu fica muito perto da costa, num ponto do litoral de Oécussi entre dois braços de uma ribeira que faz a fronteira entre Indonésia e o enclave. Na altura da assinatura do tratado sobre a fronteira de Oécussi, em 1915, existia apenas uma ribeira.

Outra vertente da fixação das fronteiras é a sua marcação, com novecentos pilares ao longo de toda a extensão da fronteira principal e no enclave de Oécussi. Em 2005, foram colocados cinquenta marcos, afirmou Arcanjo Leite. O resto está por colocar, o que em muitas áreas não é tarefa fácil.

A delimitação da fronteira terrestre tem também consequências com a posterior definição da fronteira marítima, um assunto sensível porque, como acontece com a Austrália, envolve o acesso e a partilha de recursos do Mar de Timor.

A visita de José Ramos-Horta, que regressa quarta-feira a Díli, prevê um encontro com o Presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, com os embaixadores dos países lusófonos em Jacarta e com potenciais investidores indonésios.

Presidente da Indonésia recebe José Ramos Horta em Jacarta


Jacarta, 5 jun (EFE).- O presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, se reuniu hoje no palácio presidencial de Jacarta com José Ramos Horta, recém-eleito presidente do Timor-Leste, informaram fontes oficiais.

Ramos Horta iniciou assim sua primeira visita oficial ao país vizinho, que durará três dias, segundo informou a agência estatal indonésia "Antara".

Os dois chefes de Estado tiveram uma reunião com vários membros de seus Governos e discutiram principalmente as relações bilaterais.

O presidente timorense assumiu seu cargo há duas semanas, em Díli.

Monday, 4 June 2007

Xanana Gusmão vai continuar a campanha eleitoral no distrito de Baucau, apesar dos incidentes violentos

Xanana Gusmão vai continuar a campanha eleitoral no distrito de Baucau, apesar dos incidentes violentos de domingo de que resultou a morte de um elemento da comitiva, disse hoje à Lusa, um responsável da candidatura.

José Luís Guterres, um dos 14 elementos da Fretilin-Mudança que integram as listas do Congresso Nacional de Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), liderado pelo ex-Presidente da República, disse à Lusa que Xanana continua a campanha "a bem da democracia".

Após os incidentes, em Viqueque, no centro leste do país, a caravana de Xanana retirou-se por precaução para Baucau.

Um segurança da campanha do CNRT, Afonso Kudelai, de Ossú, "foi morto à queima-roupa por um elemento não uniformizado e fora de serviço da Polícia Nacional de Timor-Leste" (PNTL), disse à Lusa uma fonte oficial da missão das Nações Unidas (UNMIT).

"O polícia acertou primeiro numa perna e depois deu três tiros na cabeça do segurança", relatou à Lusa, poucos minutos após o incidente, Germano da Silva, um dos organizadores da campanha do CNRT em Viqueque.

Antes de fazer qualquer cometário, a candidatura de Xanana quer que seja investigado porque é que um polícia da esquadra de Uatulari se encontrava em Viqueque, sede do distrito, sem requisção e armado, disse José Luís Guterres.

A Fretilin, adversária do CNRT nesta campanha para as legislativas, exige, por seu turno, saber porque é que o segurança de Xanana se encontrava armado.

A campanha eleitoral para as legislativas de 30 de Junho teve início a 29 de Maio e tanto o CNRT como o partido maioritário FRETILIN escolheram os distritos do leste do país para os primeiros dias de comícios e contactos com a população.

A FRETILIN tem uma forte implantação no distrito de Viqueque, onde Francisco Guterres "Lu Olo" obteve a 09 de Maio mais do dobro dos votos de José Ramos-Horta, que venceu as eleições presidenciais com o apoio do CNRT.

Timor-Leste: partidários acusam Polícia de tentar matar Xanana Gusmão

Timor-Leste: partidários acusam Polícia de tentar matar Xanana Gusmão- acrescenta reação do presidente timorense - Díli, 4 jun (EFE).-

Responsáveis da campanha de Xanana Gusmão, presidente do Congresso Nacional de Reconstrução do Timor (CNRT), acusaram hoje a Polícia de tentar assassiná-lo no ataque ocorrido no domingo contra uma caravana eleitoral, no qual morreu um membro dessa legenda e outros três ficaram feridos.

Os fatos aconteceram na localidade de Viqueque, quando vários desconhecidos apedrejaram e dispararam contra a caravana eleitoral de Gusmão, causando a morte de Alfonso Guterres, um dos encarregados da segurança do CNRT.

"É uma tentativa de assassinato da Polícia local contra Gusmão.

Não usavam uniformes, mas os reconhecemos como policiais do distrito de Uatulari", disse por telefone à Efe Angela Freitas, porta-voz do presidente do CNRT.

O chefe da Polícia de Viqueque, José Casimiro, declarou à Efe que a comitiva de Gusmão foi atacada com pedras lançadas por um grupo de civis, e não descartou que policiais fora de serviço fossem os autores da morte de Guterres, que estava armado no momento do incidente.

O presidente do Timor-Leste e prêmio Nobel da Paz em 1996, José Ramos Horta, disse que "o assassinato de ontem foi uma má notícia para a democracia e não deve se repetir durante o restante da campanha eleitoral nem no pleito (de 30 de junho)".

"É muito prematuro para afirmar que policiais participaram deste assassinato, inclusive na tentativa de assassinar nosso herói e ex-presidente Xanana Gusmão, mas a justiça prevalecerá", prometeu o governante, que assumiu em 20 de maio após vencer no segundo turno as eleições presidenciais de abril e maio.

Em comunicado divulgado hoje, Gusmão condenou os incidentes e apelou ao país para renunciar à violência e reconstruir a nação sob os princípios da paz e da tolerância.

A Frente Revolucionária do Timor-Leste Independiente (Fretilin), o partido governante, também se pronunciou contra a violência eleitoral, mas pediu ao Governo e à Polícia da ONU (Unpol) uma investigação para explicar o ocorrido e a razão pela qual Guterres estava armado.

As legislativas se apresentam como um duelo entre o Fretilin, partido que liderou a luta da independência, e o de Gusmão, o primeiro presidente do Timor-Leste.

O Timor-Leste está há mais de um ano imerso em uma grave crise política, salpicada de violência, que ameaça desmembrar a nação.

O Conselho de Segurança da ONU criou a Missão Integrada no Timor-Leste, com 1.608 policiais e 34 militares, em agosto do ano passado para ajudar os timorenses a restabelecer a ordem.

Sunday, 3 June 2007

Timor-Leste: partidários acusam Polícia de tentar matar Xanana Gusmão


Díli, 4 jun (EFE).- Responsáveis da campanha de Xanana Gusmão, presidente do Congresso Nacional de Reconstrução do Timor (CNRT), acusaram hoje a Polícia de tentar assassiná-lo no ataque ocorrido no domingo contra uma caravana eleitoral, no qual morreu um membro dessa legenda e outros três ficaram feridos.

Os fatos aconteceram na localidade de Viqueque, quando vários desconhecidos apedrejaram e dispararam contra a caravana eleitoral de Gusmão, causando a morte de Alfonso Guterres, um dos encarregados da segurança do CNRT.

"É uma tentativa de assassinato da Polícia local contra Gusmão.

Não usavam uniformes, mas os reconhecemos como policiais do distrito de Uatulari", disse por telefone à Efe Angela Freitas, porta-voz do presidente do CNRT.

O chefe da Polícia de Viqueque, José Casimiro, declarou à Efe que a comitiva de Gusmão foi atacada com pedras lançadas por um grupo de civis, e não descartou que policiais fora de serviço fossem os autores da morte de Guterres, que estava armado no momento do incidente.

Gusmão tinha participado de um ato nessa cidade, 100 quilômetros ao sudeste de Díli, como parte da campanha eleitoral para as legislativas de 30 de junho, das quais sairá um novo Governo e o primeiro-ministro.

Em comunicado divulgado hoje, Gusmão condenou os incidentes e apelou ao país para renunciar à violência e reconstruir a nação sob os princípios da paz e da tolerância.

O Fretilin, o partido governante, também se pronunciou contra a violência eleitoral, mas pediu ao Governo e à Polícia da ONU (Unpol) uma investigação para explicar o ocorrido e a razão pela qual Guterres estava armado.

As legislativas se apresentam como um duelo entre o Fretilin, partido que liderou a luta da independência, e o de Gusmão, o primeiro presidente do Timor-Leste.

Timor-Leste/Eleições: Viqueque, o país intacto da FRETILIN

Pedro Rosa Mendes, da Agência Lusa

Díli, 03 Jun (Lusa) - Há uma multidão à espera "do presidente" em Makadiki, na costa sul, suspensa da rota descendente dos dirigentes da FRETILIN no mapa, porque são raros os sítios com cobertura de telemóvel fora das capitais de distrito.

Em Makadiki, distrito de Viqueque, não há rede e as informações do avanço dos dirigentes chegam, por boca e em mão, pela guarda-avançada da campanha da FRETILIN.

São anúncios trazidos pela estrada que divide o mapa de Timor-Leste em ocidente e oriente, do Taci Fetu ("Mar Mulher", a norte) ao Taci Mane ("Mar Homem", costa sul), no coração da militância do partido maioritário.

"Saíram de Ossú", informa alguém, "saíram de Viqueque", ouve-se mais tarde e, depois disso, é a longa espera, "mais meia hora", diz um deputado nervoso durante várias meias horas, sorrindo, "o presidente não tarda".

A noite instala-se já quando o som de viaturas e sirenes põe Makadiki em histeria, "é ele! é ele! é o presidente!", a multidão precipita-se para a estrada que chega de oeste, há um barulho de buzinas, gritos, palmas, megafones, "segurança atenção! segurança atenção! segurança atenção!", os carros e camiões avançam lentamente, à velocidade dos guardas pedestres que, com camisas da FRETILIN, fazem um cordão de cada lado da estrada.

É a apoteose: "Lu-O-lo! Lu-O-lo! Lu-O-lo! Lu-O-lo!". O presidente que a multidão recebe em delírio é Francisco Guterres "Lu Olo", que, na manhã seguinte, lançou oficialmente em Makadiki a campanha para as legislativas de 30 de Junho.

"Lu Olo" é presidente da FRETILIN. Falhou ser Presidente da República, a 09 de Maio, perdendo as eleições para José Ramos-Horta.

"No plano pessoal, uma derrota é não conseguir a cadeira, é não vencer a cadeira do Presidente da República", afirma mais tarde "Lu Olo" à Lusa, na varanda da casa do administrador de Makadiki, onde ele e o secretário-geral da FRETILIN, Mari Alkatiri, passarão a noite.

"No plano político, a FRETILIN não tem que perder com tudo isso. Continuamos a batalhar para as parlamentares. Estou seguro, seguríssimo, que teremos maior margem para obtermos assentos" no Parlamento, afirmou "Lu Olo" à Lusa.

"Não perdemos completamente. Tivemos apenas um revés mas não perdemos completamente a batalha", acrescentou o presidente da FRETILIN.

"Lu Olo" está descontraído na sua figura pequena, com uma leveza acentuada pelo seu pólo branco, apertado num cinto discreto de cabedal. Mari Alkatiri e outros quadros da FRETILIN descansam, cumprimentam-se e conferenciam na sala atrás. Há uma euforia no ar, que o cansaço da estrada apenas acentua.

Díli, visto de Makadiki, é uma miragem a doze horas de autocarro ou sete horas de jipe. Díli fica, talvez, num outro país. Ou é Makadiki que vive outro tempo: o das lutas do passado e os medos do presente.

"Não vou lá desde 2004", conta Alito, deitado numa esteira, sobre um estrado coberto por um telhado de colmo, onde vai passar a noite com parte da família.

Outros homens, noutros estrados, dormem fora de casa. Em Makadiki "não há mosquitos".

"Não vou lá desde 2004 porque tenho medo", continua Alito, um homem que vive das várzeas férteis da costa sul, como a maior parte da população.

O seu irmão e o seu sobrinho concordam. Também eles não vão à capital desde os incidentes de 2006. "Em Díli não gostam de nós. É uma cidade perigosa para os 'lorosae'", ou timorenses oriundos do leste.

A crise política e militar de 2006 rebentou num contexto de rivalidade entre "lorosae" e "loromonu", os timorenses dos distritos ocidentais.

Os resultados das recentes eleições presidenciais confirmam a divisão do país político: a FRETILIN ganhou nos três distritos do leste, Baucau, Lautem e, com mais do dobro de votos do adversário, em Viqueque, onde "Lu Olo" obteve a sua vitória mais expressiva.

Os dez distritos ocidentais foram ganhos, de forma dispersa, pela oposição.

"Aqui, no suco de Makadiki, tivemos cem por cento", comenta "Lu Olo". Um quadro local do partido adianta-se com os números exactos, esmagadores: 3084 votos para "Lu Olo", 36 para José Ramos-Horta.

Em Makadiki, como na sede do distrito ou em Ossú, a sua terra-natal, onde esperou por Mari Alkatiri, "Lu Olo" está entre os veteranos e os sobreviventes da luta de libertação.

"Vivi com eles, sofri com eles, lutei com eles nos primeiros anos da ocupação militar indonésia. Vi os filhos, os pais, as mães a morrer", diz o presidente da FRETILIN para explicar "a alegria misturada com emoção" da recepção apoteótica em Makadiki.

Muitos dos que, pouco depois, ouvirão os dirigentes da FRETILIN no primeiro "diálogo" de campanha estiveram com o jovem Francisco Guterres na retirada do Monte Matebian, na noite de 22 para 23 de Novembro de 1978, quando a montanha-base da resistência caiu e a população civil teve que ser deixada para trás.

"Lu Olo" refere uma das companhias em que esteve inicialmente no período das bases de apoio e onde "só de filhos desta terra aqui estavam 300 homens armados e 600 civis".

De Uatulari, a poucos quilómetros de Makadiki, "só duas secções sobreviveram até 1999, incluindo quatro mulheres, a senhora Saturnina. Caímos juntos numa emboscada dos indonésios em 1988", vai contando o presidente da FRETILIN.

"Ela está aqui nesta casa, hoje".

"Não há nenhuma família que não tenha perdido alguém e com quem eu não tenha partilhado a dor e o combate", acrescenta "Lu Olo".

É com esta intimidade que "Lu Olo" se lança com Mari Alkatiri no "diálogo" com o povo mais fiel da FRETILIN. Canta-se, de punho fechado em riste, o velho hino do partido, "Foho Ramelau", acompanhado ao sintetizador, numa batida de soldadinhos de chumbo.

"Lu Olo" e Alkatiri falam aos camaradas de desenvolvimento, de crescimento económico, de redução da pobreza, de infraestruturas, de rede escolar, "é preciso dar oportunidade a que o povo tenha acesso ao mercado", "atenção aos que querem vender o país aos estrangeiros!"

Qualquer promessa eleitoral soa redundante neste distrito, porque tudo parece estar por fazer. A miséria é multiplicada pela distância. Makadiki fica num canto longínquo e, no entanto, fértil como poucos no país, com várzeas de arroz, de frutas, com florestas de teca e casuarinas, de campos com búfalos e cavalos.

Tudo, porém, parece faltar e pouco parece ter sido feito, com a excepção imponente das quatro pontes que estão a ser levantadas a lesta de Uatulari, na área de Aliembata.

"Nós não queremos promessas", diz um eleitor da FRETILIN depois do comício da noite em Makadiki. "Só precisamos que o Governo nos faça uma estrada para o norte. Nós produzimos bom arroz aqui mas o Governo enche o mercado de arroz importado".

Para a parte sul do distrito de Viqueque, a nova luz nasce literalmente do chão: em Aliembata, passada a grande ribeira de Babui, já em suco Babulo, na estrada costeira para Iliomar, há uma nascente petrolífera no sopé da montanha, a céu aberto, a trinta metros do mar de coral.

Um projecto do Banco Mundial prevê o aproveitamento do petróleo "onshore" de Aliembata para alimentar a região em electricidade.

A crise de 2006 interrompeu a prospecção e as nascentes de Aliembata, durante décadas usadas pela população local, foram cimentadas "em Setembro ou Outubro" pela companhia estrangeira que fazia a prospecção.

O petróleo resta, portanto, uma miragem, tão próxima que se pode cheirar: as lamas espessas cheiram a gasóleo, um odor irreal no azul do banco de coral que acompanha a costa.

"Aliembata é a nossa grande esperança", diz um dos cinco polícias de Makadiki, Sebastião, que tem um irmão a estudar engenharia química na Índia.

Nas estradas de Viqueque, passa-se por muitas cruzes, etapas de vias-sacras erguidas à beira-caminho. Uma cruz deste género foi atirada para trás da mesquita de Uatulari em 1995, durante a ocupação indonésia, por muçulmanos de Sulawesi, conta o polícia Sebastião. Os católicos responderam, incendiando a mesquita.

"Apanharam seis responsáveis, entre os quais eu". Sebastião passou quatro anos numa cadeia indonésia.

O passado anterior à independência é, no seu caso como no de muitos outros aqui, determinante nas escolhas do presente. No primeiro dia da campanha para as legislativas, 29 de Maio, Sebastião esteve no lançamento da campanha da FRETILIN - em trabalho ou em militância.

Muita gente caminhou horas até Makadiki, passando pelas cruzes da via-sacra. Em Viqueque, num país de muitos resistentes e de muitos católicos, a fé é imune ao calvário.

"Somos uma família política muito unida", resumiu "Lu Olo", tranquilo, antes do início de uma campanha crucial, onde a FRETILIN joga a cadeira do poder e os seus actuais dirigentes jogam a cadeira no partido.

A FRETILIN exige uma investigação independente ao incidente de Viqueque


A FRETILIN exige uma investigação independente ao incidente que provocou hoje a morte de um segurança do Congresso Nacional de Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), em Viqueque, no interior leste do país.


Num comunicado o secretário-geral do partido, Mari Alkatiri, exige uma investigação " à morte de um civil ilegalmente armado", e membro da campanha do CNRT, pela polícia em Viqueque, a leste de Díli, durante a campanha para as eleições legislativas de 30 de Junho".

Segundo fontes oficiais do CNRT e da missão das Nações Unidas, um segurança da campanha do partido de Xanana Gusmão foi morto a tiro por "um elemento não uniformizado e fora de serviço da Polícia Nacional de Timor-Leste".

Mari Alkatiri pediu o inquérito não apenas para estabelecer "os factos e circunstƒncias do tiroteio" mas também "o facto de um membro de um partido político estar ilegalmente armado em plena campanha, assim como se deve apurar com exactidão quem lhe providenciou ou autorizou a usar arma".

Para o dirigente da FRETILIN, a investigação tem que envolver o gabinete do Presidente da República, o Governo e a Polícia das Nações Unidas.

Mari Alkatiri refere na versão em inglês do comunicado que "as suas fontes" o informaram que o incidente ocorreu quando a caravana do CNRT se dirigia de Uatulari, na costa sul, para Ossú.

"A FRETILIN condena todas as formas de violência e de intimidação das populações e regista negativamente a sucessão de provocações registadas nos últimos dois dias pela campanha do recém-criado partido de Xanana Gusmão, em Uatulari e em Ossú", lê-se no comunicado.

O corpo do segurança morto em Viqueque foi levado pela comitiva de Xanana Gusmão para Ossú, mais a norte, na estrada que liga a costa sul a costa norte de Timor.

Em Ossú, houve mais incidentes envolvendo a caravana de Xanana Gusmão, de que resultou mais um morto e um ferido, segundo fonte do CNRT, uma informação de que não havia confirmação independente às 00:00 de segunda-feira (16:00 em Lisboa).

Parte das viaturas do CNRT retirou para Baucau e o resto da caravana, incluindo o presidente do partido, decidiu ficar em Fatumaca, a poucos quilómetros da segunda cidade do país.

O CNRT pretende continuar segunda-feira o calendário normal de campanha, segundo fonte oficial do partido.

Segurança de CNRT de Xanana Gusmão foi morto em Viqueque

Um «segurança civil» da campanha do Congresso Nacional de Reconstrução de Timor-Leste (CNRT) foi morto durante um comício de Xanana Gusmão em Viqueque, no interior leste do país, confirmaram fontes oficiais das Nações Unidas e do partido do ex-Presidente da República.


O segurança, identificado como Afonso Kudelai, de Ossú, «foi morto à queima-roupa por um elemento não uniformizado e fora de serviço da Polícia Nacional de Timor-Leste» (PNTL), declarou à Lusa uma fonte oficial da missão das Nações Unidas (UNMIT).

«O polícia acertou primeiro numa perna e depois deu três tiros na cabeça do segurança», relatou à Lusa, poucos minutos após o incidente, Germano da Silva, um dos organizadores da campanha do CNRT em Viqueque.

«O incidente aconteceu depois de ter havido provocações durante o comício» de Xanana Gusmão em Viqueque, acrescentou Germano da Silva.

«Um sobrinho do Afonso Kudelai foi arranjar uma viatura e foi espancado pelos elementos do grupo que tentou acabar com o comício», relatou o mesmo elemento do CNRT.

«O clima continua tenso» em Viqueque, segundo fonte oficial das Nações Unidas, «e uma unidade das Forças de Estabilização Internacional (ISF) está a chegar ao distrito para controlar a situação».

Segundo Germano da Silva, a caravana de Xanana Gusmão já tinha sido atacada ontem à noite, depois de um comício perto de Uatulari onde o ex-Presidente da República foi interpelado pela população.

«O presidente Xanana conseguiu acalmar os jovens no comício, explicando que devemos resolver as divergências com diálogo e em paz. Mas depois, na estrada, a caravana foi atacada com pedras e seis viaturas foram destruídas», contou Germano da Silva.

A campanha eleitoral para as legislativas de 30 de Junho teve início a 29 de Maio e tanto o CNRT como o partido maioritário FRETILIN escolheram os distritos do leste do país para os primeiros dias de comícios e contactos com a população.

A FRETILIN tem uma forte implantação no distrito de Viqueque, onde o candidato e presidente do partido, Francisco Guterres «Lu Olo», obteve a 09 de Maio mais do dobro dos votos de José Ramos-Horta, que venceu as eleições presidenciais.

Austrália praticou «extorsão» no Mar de Timor, diz livro


As negociações e a partilha de recursos impostos pela Austrália a Timor-Leste foram equivalentes a extorsão e intimidação, acusa um autor australiano no seu último livro sobre as negociações do Tratado do Mar de Timor.

«Penso que houve muita intimidação» por parte da Austrália durante as negociações sobre a partilha de recursos do Mar de Timor, afirmou o autor Paul Cleary à rádio australiana ABC.

Paul Cleary, um ex-jornalista do Sydney Morning Herald que viria a ser nomeado pelo Banco Mundial para conselheiro do primeiro-ministro timorense, lançou esta semana o livro «Shakedown», um termo de gíria para extorsão.

Na entrevista à ABC, Cleary acusa o chefe da diplomacia australiano, Alexander Downer, de lançar à mesa de negociações que a Austrália «é um país rico e pode adiar esta questão por 30, 40 ou 50 anos».

Downer, segundo Paul Cleary, chegou a ameaçar «cortar mesmo a Timor-Leste os recursos económicos vitais para interromper o desenvolvimento do Mar de Timor, a menos que Timor-Leste assinasse a partilha de 80 por cento dos seus direitos no maior campo petrolífero da área».

Paul Cleary refere-se ao campo Greater Sunrise, o centro da maior discórdia entre Díli e Camberra, cujo acordo de partilha de receitas foi ratificado apenas este ano pelos parlamentos dos dois países.

«Vocês entregam os direitos deste campo às 17:00 do dia 28 de Outubro e nós damo-vos três biliões de dólares e mais nada«, propôs a delegação australiano aos timorenses, recordou Paul Cleary na entrevista à ABC.

«Entretanto, a Austrália já estava a explorar os recursos, o que é contra o direito internacional», declarou o autor australiano.

«Penso que havia do lado timorense a vontade de adiar a decisão mas o país necessitava de começar a receber os recursos e por isso o Tratado do Mar de Timor começou a ser negociado em 2000 e foi assinado em 2002«, explicou o autor na entrevista.

Paul Cleary lembra em »Shakedown« que o principal negociador de Camberra no Tratado do Mar de Timor, Doug Chester, »impôs basicamente um ultimato a Timor-Leste«, como acusou na altura o então chefe da diplomacia timorense, José Ramos-Horta.

«O senhor Doug Chester disse-nos simplesmente: 'é pegar ou largar'», declarou na ronda negocial o actual Presidente da República timorense. «Claro que nós não podemos aceitar ultimatos, não podemos aceitar chantagem, somos pobres mas temos um sentido de honra e de dignidade dos nossos direitos».

Para Paul Cleary, os 50 por cento das receitas do Greater Sunrise conseguidos por Timor-Leste «é provavelmente o mínimo aceitável para os timorenses e o máximo que a Austrália estava disposta a entregar».

Sobre a crise em que o país mergulhou em 2006, Paul Cleary considerou na entrevista à ABC que «o problema é que os timorenses não fizeram um trabalho muito bom a gastar o dinheiro. E esta tem sido a verdadeira fraqueza no actual Governo».

«A economia de Timor-Leste recuou de repente quatro anos em termos de rendimento per capita«, acrescentou o autor australiano.

«Shakedown - Australia's Grab for Timor Oil» foi lançado pela Allen & Unwin. «Descrição: a história apaixonante de como a Austrália tentou conseguir à força que Timor-Leste abrisse mão dos seus direitos aos lucrativos recursos de petróleo e gás natural do Mar de Timor e das pessoas, tanto heróis como vilões, que disputaram o jogo pelo futuro de uma nação», afirma a nota na página internet da editora do livro.

Ramos-Horta visita Indonésia entre 4 e 6 de Junho


O Presidente da República timorense realiza entre 04 e 06 de Junho uma visita à Indonésia, a primeira viagem oficial de José Ramos-Horta ao estrangeiro depois de ser eleito chefe de Estado.


A visita do Nobel da Paz à antiga potência ocupante de Timor-Leste inclui encontros com o Presidente Susilo Bambang Yudhoyono e outras autoridades indonésias, além de uma reunião com potenciais investidores da Indonésia e uma visita ao Museu Nacional de Kalibata.

Na agenda dos contactos bilaterais está a delimitação definitiva das fronteiras entre os dois países e o seguimento dos trabalhos das comissões criadas para investigar os crimes cometidos durante a ocupação e em torno do referendo de Agosto de 1999 pela independência do território.

A Indonésia invadiu Timor-Leste, colónia portuguesa não descolonizada, em 1975 e ocupou o território até 1999, considerando-o mais uma província do país.

«Chega!», o relatório final da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação timorense, situa o número mínimo de mortes durante esses 24 anos em cerca de 102 mil (cerca de 18.600 timorenses mortos pelas forças ocupantes e cerca de 84.200 vítimas de doenças ou da fome).

Vários dos principais responsáveis directos pelos crimes durante a ocupação e durante o referendo de 1999 ocpuam actualmente o topo da hierarquia política e militar indonésia e nunca foram punidos, como vêm denunciando muitas organizações timorenses e internacionais de direitos humanos.

Saturday, 2 June 2007

“ Do Povo, com o Povo e para o povo” é da Fretilin ou é da UDT?

Pergunta de :
José Manuel de Sousa Brito


UDT- “ Do Povo, com o Povo e para o povo”









FRETILIN: “ Do Povo, com o Povo e para o povo”



Os partidos politicos estão em plena campanha eleitoral.
Posters colados em vários pontos estratégicos, artigos nos jornais, noticias na TV...o ambiente está em maré de eleições.
Lêm-se jornais com artigos tendenciosos, e que apenas favorecem a FRETILIN ou o CNRT. Os outros partidos não existem tanto na impressa local como na internacional.

E nestas campanhas, o que mais me chamou a atenção foram os comunicados de imprensa da FRETILIN emitidos pela equipa de imprensa do partido e publicados em vários sítios.
Se não fosse o emblema do partido, eu quase que jurava estar a ler um comunicado da UDT desde o lema ao conteudo do comunicado.
Falemos apenas do lema “ Do Povo, com o Povo e para o povo” ou seja “ Hussi povo, ho povo e ba povo’, esse é e sempre foi o lemas e palavra de ordem da UDT (União Democrática Timorense). É algo que não entendo! Com isso a FRETILIN finalmente reconhece que UDT é que é o partido mais realista e que está certo em termos do seu ideário ? Porque este lema nada tem a ver com o Marxismo Lenismo da Fretilin que tem acima de tudo e especialmente do POVO, o ESTADO. Basta recordar os discursos do Presidente da Fretilin e candidato presidencial Francisco Lu OLo Guterres, e em que por tudo e por nada era ele recorria a palavra "ESTADO" ....
Ver a FRETILIN usar este lema que muito marcou e caracterizou a UDT, dá que pensar. Sendo um partido grande porquê falhar por por uma prática de autêntico plágiarismo. Será que a UDT vai reclamar? Já viram o que é sair á rua, olhar para os posters, ler os comunicados de imprensa e ver que a FRETILIN desesperada está a fazer tudo para conseguir os votos até mesmo da UDT um partido, que sempre se manteve leal aos seus princípios. Neste momento o partido está na mó de baixo, mas a verdade é que é um partido leal com os seus principios próprios, sempre actuou com coerência e nunca mudou conforme o vento de mometo .


Eu sempre conheci este Lema com a UDT. Portanto a FRETILIN devia retirar imediatamente porque isso é uma vergonha, é plágio!!!


José Manuel de Sousa Brito

Novo presidente timorense fará visita oficial à Indonésia


O novo presidente timorense, José Ramos Horta, anunciou hoje a sua primeira visita oficial à Indonésia, país cujo Exército ocupou o Timor-Leste entre 1975 e 1999.

Ramos Horta informou que aceitou o convite do presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono. Os dois se reunirão para discutir, entre outros assuntos, a delimitação definitiva da fronteira e os avanços na investigação dos crimes realizados durante o período de ocupação militar.

Pelo menos 102 mil timorenses morreram em conseqüência direta da presença militar indonésia, segundo dados da Comissão de Recepção, Verdade e Reconciliação em Jacarta. O comitê documentou além disso torturas e abusos sexuais cometidos pelos soldados do país vizinho.

Durante a visita de dois dias, que começará na próxima terça-feira, Ramos Horta também vai conversar com o vice-presidente indonésio, Jusuf Kalla, os presidentes das duas câmaras do Parlamento e membros da comunidade timorense no país vizinho.

Friday, 1 June 2007


Europa deve ajudar imigrantes, diz dirigente luso da ONU

Madri, 01 Jun (Lusa) - A Europa deve "dividir responsabilidades" e apostar em uma cooperação "mais forte" para ajudar nas operações de salvamento de pessoas que tentam chegar, por mar, ao continente, afirmou nesta sexta-feira o Alto Comissário da ONU para os Refugiados (Acnur), o ex-primeiro-ministro português Antônio Guterres (1995-2002).

Em declarações à Agência Lusa em Madri, Guterres afirmou que o Acnur segue disponível para prestar auxílio em situações de emergência, e comentou que é vital a manutenção de garantias de proteção a necessitados.

"Pensamos que é importante haver uma divisão de responsabilidades e buscar uma cooperação européia mais forte nas operações que visam a ajudar as pessoas que estão em situação desesperadora, no mar", declarou.

O dirigente da ONU concedeu entrevista à Agência Lusa depois de um encontro em Madri com a vice-ministra espanhola para a Cooperação Internacional, Leire Pajin, com quem assinou um protocolo que reúne as linhas gerais do apoio de Madri ao Acnur, que deve chegar a mais de 14 milhões de euros (R$ 35,8 milhões).

Guterres destacou que a Espanha é atualmente uma "das parceiras mais importantes do Acnur".

Citou como exemplo as "formas de cooperação desenvolvidas e que têm como objetivo garantir a proteção das pessoas que verdadeiramente necessitam de proteção", como no caso dos imigrantes que intensificam o fluxo rumo à Europa proveniente do Mediterrâneo e do Atlântico.

O apoio garantido nesta sexta por parte do governo espanhol destina-se ao financiamento de campanhas de assistência a refugiados e desabrigados na África Subsaariana, América Latina, Oriente Médio e norte da África.

Guterres e Pajin definiram ainda a futura criação de um fundo específico, financiado por Espanha e colocado à disposição do Acnur para "fazer frente de forma ágil às necessidades de assistência a refugiados que possam aparecer devido a crises humanitárias".

Timor Leste e Iraque

Quando questionado sobre a situação dos refugiados no Timor Leste, Guterres afirmou que o Acnur mantém programas no país lusófono, ainda que agora a situação "tenda a normalizar-se".

O que realmente preocupa o dirigente luso da ONU é a situação dos refugiados iraquianos, que continuam sem ter condições para viver em segurança no país.

"Temos mantido uma pressão constante para que os iraquianos que buscam asilo na Europa consigam seu objetivo, porque não há condições no centro e no sul do Iraque para as pessoas regressarem às suas casas", disse.

Primeiro-ministro do Kuwait lança cooperação bilateral

O governo timorense assinou hoje quatro protocolos e um memorando com o Kuwait, lançando as bases da cooperação bilateral entre os dois países, durante uma visita oficial do primeiro-ministro daquele país, sheikh Nasser Al-Mohammed Al-Ahmed Al-Sabah.


O primeiro-ministro do Kuwait esteve apenas algumas horas em Díli, onde assinou, ao fim da tarde, um pacote de cooperação longamente negociado entre os dois países, desde o I Governo Constitucional timorense, chefiado por Mari Alkatiri, depois pelo executivo liderado por José Ramos-Horta e, recentemente, por um grupo técnico na transição para o governo liderado por Estanislau da Silva.

A cooperação entre Timor-Leste e o Kuwait passa a dispor de um quadro legal que inclui protocolos de cooperação técnica e económica, de promoção e protecção recíproca de investimentos, de cooperação na área do comércio e a criação de uma comissão mista.

Os dois países assinaram ainda um memorando de relações bilaterais entre os ministérios dos Negócios Estrangeiros.

"Não queremos burocracias, queremos que as coisas andem depressa", afirmou o primeiro-ministro do Kuwait, que agradeceu ainda a hospitalidade timorense.

"Esperamos do vosso lado mais do que vós esperais do nosso", respondeu, por seu lado, o chefe do governo timorense, Estanislau da Silva.

José Ramos-Horta, que espera visitar o Kuwait no final deste ano, recordou que os dois países conheceram "atribulações semelhantes na sua história recente, que foram ultrapassadas de uma forma parecida, com grande contribuição da comunidade internacional".

O Presidente da República acrescentou que Timor-Leste é um dos países onde a comunidade internacional mais contribui em termos per capita: 200 dólares (149 euros), bastante mais do que os doze dólares (nove euros) per capita que o Afeganistão recebeu nos últimos anos.

O primeiro-ministro do Kuwait anunciou que pretende abrir rapidamente uma representação diplomática em Díli e as autoridades pediram já ao governo timorense um terreno de oito mil metros quadrados para instalar a sua missão.

Com o xeque Nasser Al-Mohammed Al-Ahmed Al-Sabah, viajou um grupo de membros do governo do Kuwait, de empresários e o director do Kuwait Fund.

O Kuwait poderá desempenhar um papel no sector petrolífero timorense, reconheceu o primeiro-ministro, Estanislau da Silva.

O chefe do governo timorense adiantou à imprensa que continua em cima da mesa a hipótese de o "pipeline" do gás natural do Mar de Timor terminar na costa sul, em vez de ir na direcção inversa, para Darwin, Austrália.

Fretilin apoia investigação de crimes durante a ocupação indonésia

A Fretilin, um dos principais partidos em Timor-Leste, garantiu hoje que apoia qualquer investigação de pessoas que tenham cometido crimes contra o povo timorense durante a ocupação indonésia, entre 1975 e 1999.


Num comunicado divulgado hoje em Díli, o deputado e porta-voz da Fretilin, Aniceto Guterres, indicou que o partido liderado por Francisco "Lu Olo" Guterres acredita que a procura da justiça deve começar pelas investigações de crimes que possam levar a acusações, julgamentos e sentenças".

"Defendemos este pressuposto porque o respeito pelos Direitos Humanos e pela lei é uma das premissas mais importantes para a nossa democracia emergente", sublinhou Aniceto Guterres, reivindicando que a Fretilin é a "única força política que tem defendido esses valores de forma consistente".

Nesse contexto, defendeu que foi o partido que insistiu na ideia de que a legislação subjacente à criação das comissões para a Verificação, Verdade e Reconciliação (CVVR) e para a Verdade e Amizade (CVA) não contemplasse amnistias ou imunidades para pessoas que tivessem cometido "crimes graves" entre 1975 e 1999.

"A concessão da amnistia não deveria ser uma pré-condição para cooperar com as investigações. A amnistia é apenas uma ferramenta para ser utilizada em determinadas circunstâncias", sublinhou Aniceto Guterres.

Para o porta-voz da Fretilin, partido que se apresenta às eleições legislativas de 30 deste mês, tanto a CVVR como a CVA constituem "apenas o começo da procura da justiça".

"A Fretilin dará grande prioridade ao andamento das recomendações dos relatórios finais, através de debates urgentes no Parlamento", afirmou.

"A obtenção de justiça é essencial para o país, sobretudo porque até os crimes perpetrados em 1999 (na altura do referendo de autodeterminação) ainda não foram resolvidos satisfatoriamente", sustentou.

O deputado e porta-voz da Fretilin denunciou que algumas pessoas, que não nomeou, envolvidas na milícia pró-independência ocupam agora altos cargos em vários partidos políticos ou são candidatos a deputados nas legislativas, "o que indicia que poderão ser eleitos para o parlamento".

Sobre as relações com a Indonésia, antiga força ocupante, Aniceto Guterres defende ser "importante" promover "a amizade com os vizinhos" de Timor-Leste, sublinhando ter sido essa a ideia sempre presente no governo da Fretilin (2002/06).

"No entanto, tal não impedirá que se possa fazer justiça, pois não afectará o processo de reconciliação entre os dois países (Timor-leste e Indonésia)", acrescentou.

Timor-Leste/Eleições: "Vamos impor disciplina" - Xanana Gusmão


Por Pedro Rosa Mendes, da Agência Lusa

Díli, 01 Jun (Lusa) - Xanana Gusmão pretende "impor disciplina" ao Governo e ao Parlamento se o Congresso Nacional da Reconstrução de Timor-Leste vencer as legislativas de 30 de Junho, declarou à Lusa o ex-Presidente da República no terceiro dia da campanha eleitoral.

"Vai-se impor ali disciplina", referiu o presidente e cabeça-de-lista do CNRT para as legislativas, entrevistado pela Lusa em Baucau, segunda cidade do país, depois de um comício do CNRT na Missão Católica - o primeiro autorizado naquele recinto.

"Nós estamos a construir o Estado", afirmou. "Temos que, em primeiro lugar, construir as nossas mentalidades também. Muitas vezes os deputados faltam porque têm uma hora a dar numa universidade e outra noutra".

"Discutem mais corriqueirices e gritam mais sobre mazelas do que sobre coisas do interesse nacional", acusou Xanana Gusmão, referindo que o Parlamento na primeira legislatura serviu para "cerrar punhos e dar saudações".

"Por muitos anos, o Governo só olhou para o Governo. Não olha para os tribunais, para outros órgãos, nem para a Presidência. O Estado é o Governo porque o Governo nem é um partido. É o partido", sublinhou Xanana Gusmão numa entrevista em que dirigiu fortes críticas ao partido maioritário FRETILIN.

"Eu saí da FRETILIN mas não reclamem que tudo foi feito pela FRETILIN. Eles não aceitam os crimes que nós cometemos. Só os direitos", comentou o ex-Presidente.

"Não estou a correr atrás do poder mas quero arrebatar o poder da mão de pessoas que não têm sensibilidade nenhuma perante o sofrimento do povo", respondeu Xanana Gusmão quando interrogado sobre se quer ser primeiro-ministro.

"A lei faz-se. Mas estando no Governo, executa-se e implementa-se o que se quer", acrescentou o líder do CNRT.

Sobre a hipótese de uma coligação com a FRETILIN para governar, o líder do CNRT respondeu que coloca "a questão noutros termos: tenho um conceito de unidade nacional que não é o ajuntamento de pessoas vindas de todos os partidos".

"O projecto do CNRT é reparar o mal que apareceu com a crise (de 2006), a falta de unidade nacional. A unidade quebrou-se. A estabilidade ficou como sabemos".

"Hoje, a cultura política é de intimidação, de violência, de minimização de outras forças", declarou o ex-Presidente enquanto, no exterior do edifício onde decorria a entrevista, militantes do CNRT e uma caravana da FRETILIN trocavam insultos diante de polícias de choque das Nações Unidas.

"O conceito de unidade que percebi durante a luta (de libertação nacional) é em torno de um objectivo", explicou o antigo comandante das FALINTIL.

"A Igreja uniu-se a nós e participou porque sabia que a luta tinha o objectivo de libertar a pátria. Os que estavam bem com o regime indonésio, os militares, os paramilitares, os administradores, quando fomos bater à sua consciência de que são filhos desta terra, mudaram e participaram", recordou Xanana Gusmão, exemplificando com "uma história".

"Havia na resistência clandestina pessoas que eram capturadas pelos indonésios", recordou. "Depois de umas grandes sovas, ficavam sem uns dentes e os nossos diziam assim: parte-nos o resto porque, se ficar assim, ainda há para outra vez. Faz-me o trabalho já de uma vez".

Para o ex-Presidente, este tipo de comportamento existia "porque havia um ideal. Agora, as pessoas são facilmente alienadas porque não temos nenhum ideal, não temos nada em comum, estamos numa confusão".

"O CNRT aparece para mudar a cultura política, que me faz lembrar o fanatismo político e radicalismo partidário que nós, a geração velha, implantou em 1975, de que resultou a guerra civil, de que resultou a falta de aceitação ao diálogo. Hoje em dia estamos a viver a mesma coisa", declarou Xanana Gusmão.

"Governar é servir e pensar que os 24 anos de sacrifícios deste povo não foram uma heroicidade do Xanana nem foram um milagre das FALINTIL, mas a participação do povo", comentou.

O CNRT, explicou, propõe "o programa de desenvolvimento nacional para motivar as pessoas a aceitar sacrifícios e a trabalhar".

O partido de Xanana Gusmão propõe, se vencer as eleições, "realizar uma reforma estrutural do Governo e da Administração no primeiro ano", uma "reforma do Parlamento", "corrigir leis que não servem, como a lei do investimento" e "as leis que visavam servir os interesses de um grupo".

"Nós aparecemos para dizer aos timorenses que, se querem continuar a viver como estão, sigam aqueles que nós conhecemos. Ou se querem ter uma percepção e participar na elaboração de uma avenida comum. As avenidas fazem-se centímetro a centímetro, não aparecem feitas como se fosse um tapete", afirmou ainda o ex-Presidente.

"O povo não sabe para onde vai. Anda a perguntar. Não sabe o que pode garantir que pode viver bem. O CNRT propõe uma sinergia de ouvir, receber e dar que pode motivar o povo para uma visão do futuro", explicou Xanana Gusmão, declarando: "O futuro está aí".

Questionado sobre o que pensa o CNRT das opções da FRETILIN a longo prazo, Xanana Gusmão respondeu que "o fundo petrolífero não é desenvolvimento.O fundo é um factor, aliciante às vezes, mas é um factor que pode alicerçar um programa de desenvolvimento".

O Governo da FRETILIN "diz que guardamos ali o dinheiro para a futura geração e a futura geração é analfabeta, é doente, morre. Para quando? Para os netos deles?", acusou o ex-Presidente.

"Muitas vezes pedi-lhes: qual é o vosso plano? [Responderam que] o plano está na visão. A visão não é plano!", concluiu Xanana Gusmão.

No comício de Baucau, o CNRT contou com vários nomes do Grupo Mudança da FRETILIN, como o coordenador Vítor da Costa e o ex-chefe da diplomacia timorense, José Luís Guterres.

Indonésia/Austrália: Governador de Jacarta considera encerrado incidente diplomático

Jacarta, 01 Jun (Lusa) - O governador de Jacarta, Sutiyoso, aceitou hoje o pedido de desculpas apresentado pelas autoridades australianas, pondo termo ao conflito diplomático que originou a interrupção da sua visita à Austrália esta semana.

O responsável pelo governo de Jacarta pediu também calma às dezenas pessoas que nos últimos dias se têm manifestado frente à embaixada australiana na Indonésia.

O pedido de desculpas foi apresentado a Sutiyoso pelo embaixador australiano, Bill Farmer, referiu a agência noticiosa indonésia Antara.

O diplomata australiano entregou uma carta formal com o pedido de desculpas em nome de Morris Iemma, governador do estado de Nova Gales do Sul.

“Isto foi mais do que esperava, e uma vez que nos pediram desculpa não devemos reagir com exageros. Não posso proibir a manifestação [frente à embaixada], apenas poso pedir às pessoas que a façam ordeiramente, sem magoar ninguém”, acentuou o governador de Jacarta.

O incidente ocorreu quarta-feira quando a polícia australiana irrompeu no quarto de um hotel onde se encontrava o governador de Jacarta, Sutiyoso, depois de uma ordem nesse sentido do tribunal que investiga a morte de cinco jornalistas em Balibó, em Outubro de 1975.

Sutiyoso, potencial candidato às presidenciais indonésias de 2009, recusou-se a deslocar ao tribunal e o incidente foi amplamente divulgado na Indonésia, após o que centenas de pessoas se juntaram defronte da embaixada da Austrália em Jacarta, onde gritaram palavras de ordem anti-australianas.

Para mostrar a sua boa-vontade e desejp de melhorar as relações bilaterais, altos responsáveis da Nova Gales do Sul vão deslocar-se este mês a Jacarta para participar no aniversário das celebrações da fundação da capital indonésia.

CNRT diz-se preparado para se sentar na oposição






O Congresso Nacional da Resistência Timorense (CNRT) "está preparado" para se sentar no parlamento como oposição e deseja trabalhar em prol do desenvolvimento do país, afirmou o secretário-geral do partido, Dionísio Babo Soares.


Em Macau a participar num curso de formação contra a corrupção, organizado no Instituto Inter-Universitário, Dionísio Babo sustenta que o partido liderado por Xanana Gusmão "quer ganhar as eleições mas não coloca de parte a possibilidade de ir para a oposição".

"Se o povo decidir assim, o CNRT está preparado para ir para a oposição e ajudar quem vier a ser governante de Timor-Leste a desenvolver o país e a ser uma oposição construtiva e não como todos pensam que só quer derrotar a Fretilin", afirmou.

Dionísio Babo defendeu, no entanto, que um governo da Fretilin "tem também que dialogar com a oposição e de se renovar aprendendo com os erros do passado".

"Os problemas entre a Fretilin e a oposição não eram institucionais mas pessoais e se houver uma mudança aceitável dentro da Fretilin que permita o diálogo com a oposição não vejo razões para o CNRT não estar na oposição construtiva", concluiu.

O CNRT é um dos 13 partidos e coligações concorrentes às eleições legislativas timorenses que se realizam a 30 de Junho.

Xanana Gusmão tece duras críticas à Fretilin

O líder do CNRT, Xanana Gusmão, teceu hoje duras críticas à governação da Fretilin, considerando que o partido "não tem visão de médio/longo prazo" e que o fundo petrolífero referente ao Mar de Timor-Leste "não significa desenvolvimento".


Numa entrevista à Agência Lusa em Baucau, segunda cidade timorense, onde se encontra no seu terceiro dia de campanha para as legislativas de 30 de Junho, o presidente do Congresso Nacional da Reconstrução de Timor-Leste (CNRT) e ex-chefe de Estado acusou a Fretilin de não ter um programa para os problemas do país.

"O fundo petrolífero não é desenvolvimento e visão não é plano. (Na qualidade de chefe de Estado timorense - 2002/07) Andei sempre a pedir (ao executivo da Fretilin) qual era o plano do Parlamento e do governo", disse Xanana Gusmão, defendendo que a Assembleia da República timorense "apenas serviu para cerrar os punhos e dar saudações".

"(A Fretilin) Respondia que o plano está na visão. Visão não é plano. A Fretilin não tem médio/longo prazo", respondeu Xanana, quando questionado sobre as opções estratégicas do governo que, de 2002 a 2006, foi liderado pelo secretário-geral da Fretilin, Mari Alkatiri.

Para Xanana, que deixou a presidência de Timor-Leste a 20 deste mês, o fundo petrolífero "não é desenvolvimento".

"É apenas um factor, aliciante às vezes, que pode alicerçar um programa de desenvolvimento", acrescentou, lembrando que as futuras gerações estão em risco.

"O fundo tem dinheiro para a futura geração, mas a futura geração é doente, analfabeta e morre. Será o fundo para os netos deles?", questionou o ex-Presidente timorense.

Na entrevista à Lusa, concedida no final de um concorrido comício em Baucau, em que também discursaram dois líderes do Grupo de Mudança da Fretilin, o coordenador do grupo, Vítor da Costa, e o ex-chefe da diplomacia timorense, José Luís Guterres, Xanana reiterou ser candidato a primeiro-ministro.

"Como cabeça-de-lista do CNRT, sou candidato a primeiro-ministro se o partido vencer as eleições" legislativas de 30 de Junho, afirmou à Lusa naquela cidade situada 150 quilómetros a leste de Díli.

"Não estou a correr atrás do poder, mas quero arrebatar o poder a pessoas que não têm sensibilidade nenhuma", acrescentou Xanana Gusmão.

Jovens timorenses realizam conferência em Lisboa


O processo de construção de Timor-Leste ao longo dos cinco anos de independência vai ser analisado sábado, em Lisboa, numa conferência realizada pelo Fórum Juventude e Estudantes Timorenses (FORUMJET).


De acordo com a organização, a conferência visa celebrar o quinto aniversário da restauração da independência de Timor-Leste, que se assinalou no passado dia 20, tendo como "pano de fundo" a eleição de Ramos Horta para presidente da República e as eleições legislativas, marcadas para 30 de Junho.

A iniciativa pretende igualmente analisar a sustentabilidade do estado timorense após a recente crise político-militar que, segundo a FORUMJET, "quase" levou ao "desmembramento de alguns sectores do Estado".

A conferência "Construção do estado timorense" realiza-se na Universidade Nova de Lisboa e contará com a presença do deputado timorense Abílio Araújo e dos professores Barbedo de Magalhães e Almeida Serra, que há longos anos acompanham as questões timorenses.

"Timor-Opções inadiáveis", "Os desafios da construção do estado" e "Aspectos da construção económica do estado timorense" são os temas em debate.

Criada no final de 2006, o FORUMJET é composto por cerca de 50 jovens e estudantes timorenses em Portugal.

Preservar e divulgar a cultura de Timor-Leste em Portugal, apoiar a inserção dos jovens timorenses e organizar actividades que reforçam a unidade da juventude no seio da comunidade são os principais objectivos da FORUMJET.