Wednesday, 30 April 2008

«Justiça essencial para reconciliação», diz chefe da ONU



O chefe da Missão Integrada das Nações Unidas em Timor-Leste (UNMIT), Atul Khare, afirmou hoje em Díli que "a justiça é essencial para a reconciliação" e que o grupo de Gastão Salsinha tem que explicar-se em tribunal.


"Todos têm que se submeter à justiça e depois ver-se-á o que se poderá fazer para promover a reconciliação", declarou Atul Khare à agência Lusa no final da cerimónia formal de rendição do ex-tenente Gastão Salsinha.

"Os ataques de 11 de Fevereiro ameaçaram Timor-Leste e eu partilho do sentimento de toda a comunidade em aplaudir a entrega pacífica de Gastão Salsinha e dos seus homens", afirmou Atul Khare num comunicado hoje distribuído pela UNMIT.

O representante especial do secretário-geral das Nações Unidas acrescentou, no comunicado, que "o povo de Timor-Leste e os seus dirigentes merecem um elogio pela maneira tranquila como geriram os acontecimentos dos últimos meses".

Gastão Salsinha e um grupo de 12 fugitivos foram hoje transportados para Díli, sob fortes medidas de segurança, na sequência de um acordo de rendição obtido em Letefoho, distrito de Ermera (oeste) no dia 25 de Abril.

Antigo líder dos peticionários das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) desde Janeiro de 2006, Gastão Salsinha é acusado de ter participado no ataque contra o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, a 11 de Fevereiro, e de ser cúmplice do ataque à residência do Presidente José Ramos-Horta pelo grupo do major Alfredo Reinado.

José Ramos-Horta foi atingido a tiro por um dos elementos do grupo de Reinado, chamado Marcelo Caetano, que hoje também foi trazido para Díli.

Com a morte de Alfredo Reinado no ataque de 11 de Fevereiro, Gastão Salsinha passou a liderar o grupo de fugitivos procurados pela justiça e pela operação "Halibur" das F-FDTL e da Polícia Nacional de Timor-Leste.

Ramos-Horta perdoa a Salsinha «como cristão»

José Ramos-Horta disse hoje a Gastão Salsinha e ao homem que disparou sobre ele, Marcelo Caetano, que lhes perdoa "como cristão" mas que têm de enfrentar a justiça.


"Em relação até à pessoa que tentou assassinar-me, perdoo como cristão, como ser humano. Como chefe de Estado (disse-lhe que) ele tem que enfrentar a justiça", declarou José Ramos-Horta no Palácio do Governo.

O Presidente da República saía de um encontro em que se dirigiu ao ex-tenente Gastão Salsinha e ao restante grupo de 14 fugitivos que, às 12:30 (04:30 em Lisboa), chegaram ao Palácio do Governo sob fortes medidas de segurança.

"Não tenho ódio", acrescentou José Ramos-Horta.

No Palácio do Governo, o chefe de Estado dirigiu-se a Gastão Salsinha, acusado de liderar o ataque contra o primeiro-ministro, e ao grupo de homens que agora se renderam às autoridades.

Entre eles estava Marcelo Caetano, identificado por José Ramos-Horta como aquele que disparou sobre ele a 11 de Fevereiro.

Nem Salsinha nem Caetano responderam ao Presidente da República, que falou sentado e calmamente e explicou que, judicialmente, o grupo tem direito à presunção da inocência até se provar a sua responsabilidade pelos acontecimentos de 11 de Fevereiro.

"Eu disse apenas que a justiça tem que ser feita e têm que ser eles próprios a ir a tribunal e explicar o porquê da sua acção no 11 de Fevereiro, mas também quem lhes deu as armas, uniformes, dinheiro, meios de comunicação, telefones, ao longo desses meses todos", explicou o Presidente da República.

O grupo de Gastão Salsinha chegou a Díli numa coluna de dezena e meia de viaturas, envolvendo as Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), unidades especiais da Polícia Nacional, o procurador-geral da República, Longuinhos Monteiro, e a sua segurança pessoal, a GNR e as Forças de Estabilização Internacional (ISF).

Filho de Ramos-Horta preocupado com «circo» da segurança


O filho do Presidente da República de Timor-Leste, Loro Horta, está preocupado com o que chama de "circo" da segurança pessoal do chefe de Estado.


"Todos continuam a levar as coisas na brincadeira e parece que nada foi aprendido mesmo depois de o meu pai levar três tiros", afirmou Loro Horta, entrevistado pela Lusa em Díli.

"A segurança do meu pai actualmente é uma manta de retalhos e tem que se resolver essa situação", declarou Loro Horta.

Ressalvando que os elementos de segurança na residência de José Ramos-Horta "estão a tentar fazer um trabalho sério", Loro Horta chama a atenção para a falta de coordenação entre diversas forças e a falta de preparação específica.

A residência de José Ramos-Horta, em Metiaut, na periferia leste de Díli, foi atacada em 11 de Fevereiro por um grupo liderado pelo major Alfredo Reinado, que viria a morrer no ataque.

José Ramos-Horta, que se encontrava no exterior fazendo a sua caminhada matinal, foi atingido por outro elemento do grupo de Alfredo Reinado, pouco depois, quando regressava a casa, tendo ficado gravemente ferido.

A segurança da residência de José Ramos-Horta era feita por elementos das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).

"Todos têm medo de dizer que as F-FDTL não têm competência para fazer a guarda presidencial ou que enfrentam divisões políticas", afirmou Loro Horta, um especialista em assuntos de defesa e segurança.

Loro Horta critica o arranjo actual da segurança do Presidente, feito por efectivos da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), Unidade de Reserva da Polícia (URP) e Corpo de Segurança Pessoal (CSP), da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), e por efectivos da Secção de Operações Especiais (SOE) do subagrupamento Bravo da GNR.

"É uma manta de retalhos de fardas e de unidades que não têm um comando único ou alguém que coordene todos os elementos envolvidos na segurança da casa e que possa dar ordens a todos", sublinhou Loro Horta na entrevista à Lusa.

"Falam de hierarquia e onde está a hierarquia? Em 2006, durante a crise, toda a segurança do meu pai fugiu, excepto um elemento que continua com ele. Mas são alguns dos que fugiram que, depois, foram aceites de volta", recordou Loro Horta.

O filho do chefe de Estado timorense alerta para o facto conhecido de existir rivalidade e concorrência entre as várias unidades da PNTL envolvidas na segurança presidencial.

"Outro problema é que, com a situação institucional da PNTL desde a crise de 2006, não há patentes superiores. Todos são agentes, subinspectores ou inspectores", explica Loro Horta.

"Nesta situação, não há um oficial que, na casa do Presidente, possa dar ordens e ser respeitado ao mesmo tempo pelos homens da URP, da UIR e do CSP. Se houver outra vez uma tragédia, não vai haver ninguém que possa ser responsabilizado", acrescentou.

Loro Horta sugere a criação de um novo corpo de segurança, a atribuição da missão de proteger o chefe de Estado a uma única unidade ou a contratação de uma guarda presidencial no estrangeiro.

"Não temos capacidade nas forças timorenses para garantir uma segurança efectiva mas quando sugiro a solução de uma guarda estrangeira acusam-me de ser neocolonialista", referiu Loro Horta.

Na entrevista à Lusa, Loro Horta denuncia as limitações "do que é politicamente correcto fazer em Timor-Leste" e aponta vários exemplos de países onde a guarda presidencial é entregue a unidades estrangeiras.

Loro Horta reside habitualmente em Singapura, onde é investigador na Escola de Estudos Internacionais de S. Rajaratnam, uma das instituições de referência em estudos estratégicos na região da Ásia-Pacífico.

Dos muitos exemplos possíveis, Loro Horta referiu que em Singapura, "um país que não pode ser acusado de descurar os seus interesses nacionais", a guarda presidencial é feita por gurkas nepaleses, desde a independência do país em 1975.

"Foi essa solução encontrada para ter uma guarda presidencial que fosse racialmente neutra num país com conflitos permanentes entre as comunidades chinesa e malaia", recordou Loro Horta.

"Talvez fosse a altura de pensar numa guarda presidencial que fosse politicamente neutra, fora das rivalidades do passado e dos interesses do presente em Timor", sublinhou.

Também o sultão do Brunei dispõe de um batalhão de segurança pessoal composto por cerca de 650 gurkas, desde os anos 1960, actualmente comandados por um oficial britânico.

O sultão de Omã "teve durante muito tempo uma guarda de antigos elementos de tropas especiais britânicas", referiu Loro Horta.

"Outro exemplo vem dos próprios australianos, que contrataram um britânico para comandar a polícia do Estado de Nova Gales do Sul (que tem Sydney por capital). A polícia estadual tinha problemas graves de corrupção e o governo não hesitou em ir buscar alguém de fora para limpar a casa", acrescentou Loro Horta.

Sobre a possibilidade de José Ramos-Horta sofrer um novo ataque, Loro Horta foi peremptório quanto à grelha de análise dos riscos em Timor-Leste.

"O problema é que nós não devemos agir segundo percepções. As coisas neste país são imprevisíveis, como se tem provado sempre. Em Timor-Leste, não é possível calcular o risco", analisou.

Loro Horta recordou que, mesmo entre velhos aliados, surgem agressões. Citou, a propósito, a agressão de que foi vítima, em 1978, em Moçambique, a sua mãe, Ana Pessoa, militante histórica da Fretilin e da resistência no exílio, e Mari Alkatiri, actual secretário-geral do partido e ex-primeiro-ministro, "por divergências internas sobre a linha a seguir no partido".

"A verdade é que não sabemos quando o próximo louco vai actuar. Temos uma soma de factores imprevisíveis, desde as drogas ao trauma", acrescentou Loro Horta.

Marcelo Caetano, o ex-militar que, integrado no grupo de Alfredo Reinado, disparou sobre José Ramos-Horta, é apontado por Loro Horta como exemplo da imprevisibilidade: "um soldado indisciplinado que o meu pai tentou ajudar em 2006".

O problema mais geral é o de todo o sector de segurança de Timor-Leste, diz Loro Horta.

"Não vale a pena fazer a reforma que estão a propor. Não estão a enfrentar os problemas reais, apenas estão a avançar com cosmética. Temos que contrariar a lógica das milícias e tem que haver um entendimento entre os 'senhores da guerra' que dominam as forças de segurança", afirmou.

Para o filho de José Ramos-Horta, o problema da guarda presidencial é "o problema fundamental de Timor-Leste: falta de unidade política".

Sunday, 23 March 2008

Brasil e Timor Leste prorrogam acordo para capacitação de professores


Brasília - Brasil e Timor Leste prorrogaram até 2010 o programa em que 50 professores brasileiros ajudam na formação de docentes timorenses.

A decisão foi anunciada hoje (30), na ocasião da visita do presidente timorense, José Ramos Horta, ao Brasil.

O Timor Leste é o único país da Ásia e da Oceania que tem o português como língua oficial.

"Nossas iniciativas têm impacto direto sobre a qualidade de vida do povo timorense. A idéia é fornecer instrumentos para que homens e mulheres possam moldar seus próprios destinos", disse Lula, antes de oferecer almoço ao colega do timorense, no Palácio do Itamaraty.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), o acordo foi firmado em 2004 para que o Brasil ajudasse na disseminação da língua portuguesa no país.

Durante o período em que o Timor Leste ficou sob o domínio da Indonésia (1975-1999) era proibido o uso da língua no país.

Ainda segundo o MEC, apenas entre 10% e 20% da população timorense fala português. Os idiomas locais são o tetum e o indonês.

Lula disse ainda que grupo formado por representantes dos Ministérios das Relações Exteriores e da Cultura visitarão a capital timorense, Díli, para identificar oportunidades de intercâmbio entre artistas.

O presidente brasileiro anunciou também que, a partir de março, o Brasil capacitará técnicos de futebol dos países que compõem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

José Ramos Horta apontou o combate à violência e à pobreza, que atinge quatro em cinco pessoas do país, como desafios do Timor Leste. "Temos de conquistar os investidores. Agora, temos a responsabilidade de combater a pobreza", disse Horta, que chamou o presidente Lula de "irmão mais velho".

Lula afirmou ainda que existe interesse do Brasil em aprofundar acordo para treinamento de policiais timorenses.

Timor-Leste: Rebeldes que participaram de ataque a líderes se entregam

Sydney (Austrália), 22 mar (EFE).- Quatro militares rebeldes do grupo que participou dos ataques contra os líderes do Timor-Leste se entregaram hoje às forças de segurança, afirmou o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão.

Os rebeldes se renderam pouco depois do meio-dia em uma delegacia de Polícia nos arredores de Aileu, localidade ao sul de Díli, a capital timorense.

Em declarações divulgadas pela imprensa australiana, Gusmão disse que os quatro soldados rebeldes reconheceram, após se entregar, que haviam participado dos ataques cometidos em 11 de fevereiro contra o próprio premiê e o presidente timorense, José Ramos Horta.

Em um dos ataques, Ramos Horta ficou gravemente ferido após levar três tiros.

O primeiro-ministro, que saiu ileso do ataque contra ele, ressaltou que esta rendição pode incentivar os outros militares rebeldes a decidir se entregar.

Na semana passada, Gusmão disse que o diálogo com os rebeldes, agora liderados por Gastão Salsinha, estava esgotado e que a via militar era a única saída.

Salsinha era o braço direito do ex-chefe rebelde Alfredo Reinado, morto a tiros durante o ataque a Ramos Horta, que na segunda-feira passada recebeu alta do Hospital Real de Darwin, onde estava internado.

Os tribunais timorenses emitiram 23 ordens de detenção contra militares rebeldes que teriam participado dos dois ataques.

Ramos-Horta está a recuperar «surpreendentemente bem»


O Presidente timorense, José Ramos-Horta, está a recuperar "extremamente bem", mostra-se bem disposto, já comeu pasteis de nata e irá regressar em breve a Timor-Leste, disse hoje à Agência Lusa a sua chefe de gabinete.


"O Presidente está bem disposto e está a recuperar muito bem, extremamente bem, na sua própria casa (em Darwin, Austrália)", disse por telefone à Lusa Natália Carrascalão.

Contactada a partir de Lisboa, a chefe de gabinete não precisou uma data para o regresso de Ramos-Horta a Timor-Leste, mas disse que, segundo o seu médico pessoal, "se quisesse (o presidente) poderia regressar hoje, não teria problemas nenhuns"

"Mas vais ficar mais uns dias a descansar", acrescentou.

Natália Carrascalão disse ainda que o chefe de Estado timorense está "cheio de força, fica bastante tempo a falar com as pessoas e tem a família toda ao seu redor".

Sublinhando a rápida recuperação do Presidente timorense face à gravidade dos ferimentos que teve, a chefe de gabinete atribuiu-a à força e à boa forma física de Ramos-Horta que "caminha e exercita-se bastante".

Apesar de ainda não ter conseguido saborear os pastéis de Belém originais que pediu assim que se recuperou do ataque, José Ramos-Horta já comeu uns pastéis de nata, que uma amiga lhe levou de Sydney.

"Houve um problema com uma mala do comandante da GNR que lhe trazia pastéis de Belém. Ficou retida na Holanda", explicou divertida, acrescentando que o Presidente é um "grande apreciador" deste bolo português.

José Ramos-Horta foi ferido a tiro durante um ataque contra a sua residência em Díli, a 11 de Fevereiro.

Nesse mesmo dia, após ter sido inicialmente assistido em Díli, foi transferido para um hospital de Darwin, norte da Austrália, onde foi submetido a várias intervenções cirúrgicas e onde recebeu alta na quinta-feira.

Monday, 28 January 2008

Lula da Silva recebe Ramos-Horta no dia 31, em Brasília

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, será recebido pelo chefe de Estado do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva no próximo dia 31, no Palácio do Planalto, anunciou hoje o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.


"É a manutenção de um diálogo estreito e fluido entre Brasil e Timor-Leste. Haverá um reforço no sentido de passar em revista os projectos de cooperação já existentes, como o da consolidação do ensino de língua portuguesa", afirmou a chefe do Departamento da Ásia e Oceânia do Ministério das Relações Exteriores (MRE), embaixadora Regina Dunlop.

Segundo a diplomata, há actualmente 50 professores brasileiros a trabalhar em Timor-Leste.

Regina Dunlop manifestou ainda a confiança do governo brasileiro na consolidação institucional do Estado timorense.

"Timor-Leste é uma nação jovem, que obviamente enfrenta percalços para a consolidação institucional do Estado e precisa de contar com a ajuda internacional. O Brasil tem confiança de que Timor-Leste vai trilhar um caminho soberano e democrático rumo ao desenvolvimento", assinalou.

Actualmente, os três grandes problemas de Timor-Leste são os cerca de 100 mil deslocados, as cinco centenas de peticionários, a maioria armados, e o fugitivo major Alfredo Reinado, um dos protagonistas da crise político-militar de 2006.

O programa da visita de Ramos-Horta ao Brasil, que inclui o Rio de Janeiro e Brasília, está ainda a ser ultimado.

A previsão é de que Ramos-Horta chegue ao Rio de Janeiro no dia 28 de Janeiro, seguindo para Brasília no dia 30.

No Rio de Janeiro, o PR timorense terá encontros com o governador Sérgio Cabral, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), e com o presidente do Comité Olímpico Brasileiro, Carlos Artur Nuzman.

O desporto é uma das áreas de grande interesse do governo de Timor-Leste, que pretende desenvolver a prática desportiva nas escolas do país, pretendendo Ramos-Horta conhecer as potencialidades do Rio de Janeiro, sede dos Jogos Pan-Americanos, em Julho passado.

O chefe de Estado timorense deverá chegar no dia 30 a Brasília, onde se reúne, no dia seguinte, com o Presidente Lula da Silva e o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

De acordo com o Itamaraty, não há ainda previsão de assinatura de acordos entre os dois países.

Médicos cubanos indignados com declarações de Ramos-Horta

Os quatro médicos cubanos à espera de fugir de Timor-Leste para os Estados Unidos reagiram hoje com indignação às declarações do presidente timorense, que terça-feira classificou o caso de mera "oportunidade económica".


"José Ramos-Horta devia preocupar-se por um partido estrangeiro controlar, funcionar e dirigir dentro do seu próprio país o sistema de saúde, como está acontecendo", afirmou o médico Alexis Oriol Rodriguez à Agência Lusa em Díli.

"Isto é uma chantagem política e não deveria ser permitida por um governo de nenhum país que se autoproclame livre, independente ou democrático", acrescentou o médico.

Quatro dos 227 cooperantes da brigada sanitária cubana em Timor-Leste não querem voltar a Cuba.

Os médicos, entrevistados pela Lusa, acusam Havana de "exportar a tirania" através do controlo rigoroso do Partido Comunista Cubano (PCC) sobre cada um dos cooperantes em Timor-Leste.

Os quatro médicos, sem passaporte, vivem escondidos em Díli há cerca de três meses, aguardando que o Governo timorense os deixe sair do país.

"Há uma lei, passada pelo Congresso (norte-americano) que garante a qualquer médico cubano, quer esteja em Cuba ou noutro país a trabalhar, que se quiser ir para os EUA sem tratamento especial é automaticamente aceite", declarou José Ramos-Horta à Lusa comentando o caso.

Para o chefe de Estado timorense, torna-se, por isso, "natural" que, havendo um país, como Cuba, onde os médicos "ganham pouco", se surgirem os Estados Unidos a "oferecer privilégios de médico", tal "incentive e encoraje qualquer um".

"Se assim é, então alguém nos explique por que estamos ainda aqui", declarou hoje à Lusa a médica Irina Valdés Pérez.

"Já cumprimos o contrato de 2 anos de missão em Timor-Leste. Não devemos nada nem a Timor nem a Cuba. Só pedimos que respeitem a liberdade de movimentos de cada um de nós", acrescentou a médica.

Irina Valdés Pérez, o seu marido Raidén López Carrillo e Miriela Llanes Martínez já obtiveram da embaixada dos Estados Unidos em Díli o visto de entrada e os documentos que lhes permitem viajar até à América, "mesmo sem passaporte".

Quanto a Alexis Oriol Rodriguez, ainda não obteve o visto norte-americano.

Sobre as declarações de José Ramos-Horta, Raidén López Carrillo interroga-se "sobre a noção de direitos humanos do Presidente da República, que é também Prémio Nobel da Paz".
"Em Cuba tudo é político", sublinhou Irina Valdés Pérez sobre os motivos "económicos" da sua fuga para os Estados Unidos, país onde os quatro médicos ouvidos pela Lusa têm família.

"Esse é o tipo de argumento repetido pela Embaixada de Cuba", acrescentou a médica.

"O Governo de Cuba, na figura do seu embaixador em Timor-Leste, e o que é pior, agora na do senhor Ramos-Horta (sic), tenta esconder ao mundo o desacordo e a reprovação que muitos cubanos sentem por viver num país onde não existe liberdade, democracia nem direitos humanos, ao chamar de 'económicos'" os motivos dos quatro médicos, afirmou Alexis Oriol Rodriguez.

As declarações do chefe de Estado timorense, conclui o médico numa declaração escrita à Lusa, deixaram-lhe "repugnância e a mais profunda pena".

A Lusa tentou, sem sucesso, nos últimos dois dias, esclarecer junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros timorense qual a situação dos médicos cubanos e a razão por que não saíram do país.

Um responsável da embaixada dos Estados Unidos em Díli, contactado a propósito do mesmo caso, remeteu para quinta-feira "uma resposta oficial" do Departamento de Estado.

A mesma fonte explicou à Lusa, no entanto, que os três médicos cubanos autorizados a entrar nos Estados Unidos "não são asilados políticos" e que a sua documentação de viagem foi concedida ao abrigo de um programa especial.

Quanto ao embaixador de Cuba em Díli, Ramón Hernández Vásquez, membro do Comité Central do PCC, afirmou terça-feira à Lusa que "tudo o que havia a dizer" sobre o caso já foi dito.

Para o diplomata cubano, a situação dos médicos que pretendem fugir para os Estados Unidos é "apenas um caso de emigração económica".

Tribunal viu «entrevista» de Reinado, julgamento adiado


Alfredo Reinado não compareceu à segunda sessão do seu julgamento em Díli, mas o Tribunal de Recurso de Timor-Leste visionou uma "entrevista" do major fugitivo num vídeo de 59 minutos.


Devido à ausência de Alfredo Reinado, principal arguido no processo, o julgamento foi adiado para 04 de Março.

Apenas estiveram presentes no Tribunal de Recurso dois arguidos que se encontram em prisão preventiva, Nixon Galucho e José Soares.

Alfredo Reinado, figura relevante da crise de 2006 em Timor-Leste, é acusado dos crimes de homicídio, rebelião contra o Estado e posse ilegal de material de guerra.

No vídeo, que tem sido divulgado em disco e pela Internet e que se pode comprar nas ruas de Díli, Alfredo Reinado faz acusações graves contra o actual primeiro-ministro, Xanana Gusmão.

"Ele é o autor da crise", acusa o militar fugitivo.

"Ele planeou tudo. Se eu for para a cadeia, ele irá também por muito mais tempo", afirma o ex-comandante da Polícia Militar sobre Xanana Gusmão, a quem chama de "mentiroso".

O major fugitivo, falando em tétum e em inglês, faz várias ameaças e pede "aos jovens lorosae e aos jovens loromonu (dos distritos ocidentais e dos distritos orientais do país) que não adorem um governo que (os) traiu".

"Ouçam, esperem. Se houver festa, eu dou-vos convite", pede Alfredo Reinado, insistindo no seu "direito de levantamento pela pátria".

"Não sabemos se pode surgir uma guerra civil", diz.

"Temos que nos levantar juntos e salvar a nação", afirma ainda Alfredo Reinado.

"Esta é uma democracia já velha e azeda, mas há muitos líderes que ainda são bons", acrescenta.

O major fugitivo avisa os investidores estrangeiros "a porem o seu dinheiro noutro local qualquer".

Para resolver "a crise", Alfredo Reinado pede à ONU que "dissolva o Governo, entregue o poder ao Presidente da República (José Ramos-Horta) e dê escolha ao povo" através de um referendo como o de 1999.

O presidente do colectivo de juízes, Ivo Rosa, decidiu pelo visionamento integral em audiência do vídeo de Alfredo Reinado depois do Ministério Público pedir a junção da gravação ao processo.

Só dessa maneira, explicou o magistrado, se podia apurar se o filme era ou não relevante como meio adicional de prova.

O colectivo deferiu o pedido do Ministério Público.

Além de dois longos monólogos de Alfredo Reinado, a gravação inclui imagens do major com o seu grupo de homens armados, numa paisagem montanhosa.

"Trata-se de uma mera entrevista do arguido em data que se desconhece, (com um) entrevistado que se desconhece, certamente para acontecimentos muito posteriores à data da acusação", argumentou o advogado de Alfredo Reinado, Paulo dos Remédios, após o visionamento.

O advogado, que é também assessor da Presidência da República, defendeu que o vídeo "não traz elementos novos probatórios".

O tribunal, no entanto, considerou que a gravação é relevante porque confirma que o grupo de Alfredo Reinado "continua na posse de armas e de uniformes supostamente pertencentes ao Estado timorense" e ao seu Exército.

Antes da audiência, no exterior do Tribunal de Recurso, ocorreu um incidente entre elementos da unidade que foi comandada por Alfredo Reinado, a Polícia Militar (PM), e oficiais das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) e da Polícia das Nações Unidas (UNPol).

A discussão começou após a revista feita por elementos da PM a elementos das F-FDTL, incluindo o tenente-coronel Falur.

Na sequência da discussão, um membro australiano da UNPol foi agredido por um militar timorense.

Elementos da UNPol ordenaram a vários jornalistas presentes que "apagassem as imagens" do incidente.

Posteriormente, um polícia da UNPol tentou obter cópia das mesmas imagens junto da delegação da RTP em Díli.

Ficou sem resposta um pedido da Lusa à UNPol sobre a natureza do incidente junto ao Tribunal de Recurso e a origem da ordem policial junto dos jornalistas.

Sunday, 20 January 2008

Médicos cubanos aguardam autorização para fugir para os EUA

Três médicos cubanos esperam há quase três meses em Díli autorização para fugir para os Estados Unidos, num caso que o embaixador de Cuba considera "parte de um plano americano para sabotar a cooperação médica" de Havana.


"Continuamos à espera de uma autorização do Governo timorense para sair de Timor-Leste para um terceiro país", afirmou hoje o médico Reidén López.

Reidén López Carrillo, a mulher e um outro médico cubano esperam autorização que lhes permita seguir para os Estados Unidos da América, país a que pediram asilo a 5 de Novembro de 2007.

A embaixada dos Estados Unidos em Díli "já emitiu os documentos de viagem para os três", disse o médico cubano.

Como todos os cooperantes cubanos em serviço em Timor-Leste no âmbito de um acordo bilateral, os três médicos tiveram à chegada que entregar os seus passaportes à embaixada de Cuba em Díli.

"Atravessámos condições muito difíceis", declarou o médico.

"Ficámos sem dinheiro, tivemos que dormir no chão e comer mal durante dois meses", contou Reidén López Carrillo.

"A situação deles ficou muito frágil a partir do momento em que decidiram não regressar a Cuba e esconder-se algures em Díli", contou à Lusa uma das pessoas envolvidas na resolução do seu caso.

"Tudo podia acontecer-lhes a qualquer momento porque Timor-Leste não quer correr o risco de melindrar as relações com Cuba e comprometer o programa de cooperação médica", adiantou a mesma fonte.

A situação dos três médicos cubanos chegou a Washington e aos gabinetes de figuras influentes no Senado e no Departamento de Estado, disse à Lusa uma fonte diplomática.

O senador hispano-americano Mel Martinez telefonou ao chefe da diplomacia timorense, Zacarias da Costa, intercedendo a favor dos médicos em fuga, referiu a mesma fonte.

O caso ainda pendente dos três médicos surgiu na sequência da saída para os Estados Unidos, em Outubro passado, de outra médica cubana em serviço em Timor-Leste.

Lula da Silva recebe Ramos-Horta no dia 31, em Brasília

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, será recebido pelo chefe de Estado do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva no próximo dia 31, no Palácio do Planalto, anunciou hoje o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.


"É a manutenção de um diálogo estreito e fluido entre Brasil e Timor-Leste. Haverá um reforço no sentido de passar em revista os projectos de cooperação já existentes, como o da consolidação do ensino de língua portuguesa", afirmou a chefe do Departamento da Ásia e Oceânia do Ministério das Relações Exteriores (MRE), embaixadora Regina Dunlop.

Segundo a diplomata, há actualmente 50 professores brasileiros a trabalhar em Timor-Leste.

Regina Dunlop manifestou ainda a confiança do governo brasileiro na consolidação institucional do Estado timorense.

"Timor-Leste é uma nação jovem, que obviamente enfrenta percalços para a consolidação institucional do Estado e precisa de contar com a ajuda internacional. O Brasil tem confiança de que Timor-Leste vai trilhar um caminho soberano e democrático rumo ao desenvolvimento", assinalou.

Actualmente, os três grandes problemas de Timor-Leste são os cerca de 100 mil deslocados, as cinco centenas de peticionários, a maioria armados, e o fugitivo major Alfredo Reinado, um dos protagonistas da crise político-militar de 2006.

O programa da visita de Ramos-Horta ao Brasil, que inclui o Rio de Janeiro e Brasília, está ainda a ser ultimado.

A previsão é de que Ramos-Horta chegue ao Rio de Janeiro no dia 28 de Janeiro, seguindo para Brasília no dia 30.

No Rio de Janeiro, o PR timorense terá encontros com o governador Sérgio Cabral, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), e com o presidente do Comité Olímpico Brasileiro, Carlos Artur Nuzman.

O desporto é uma das áreas de grande interesse do governo de Timor-Leste, que pretende desenvolver a prática desportiva nas escolas do país, pretendendo Ramos-Horta conhecer as potencialidades do Rio de Janeiro, sede dos Jogos Pan-Americanos, em Julho passado.

O chefe de Estado timorense deverá chegar no dia 30 a Brasília, onde se reúne, no dia seguinte, com o Presidente Lula da Silva e o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

De acordo com o Itamaraty, não há ainda previsão de assinatura de acordos entre os dois países.

Ramos Horta é recebido pelo Papa segunda-feira

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos Horta, será recebido segunda-feira pelo Papa Bento XVI no Vaticano, noticiou a agência Ecclesia
Uma das questões que o Nobel da Paz 1996 deverá abordar com o Papa é a aguardada criação de uma terceira diocese - além das de Díli e Baucau - que está dependente da divisão territorial de Timor.

Em 2007, quando foi eleito Presidente timorense, Ramos Horta agradeceu ao Papa a forma como comentou as eleições no país, depois de este ter destacado a «grande maturidade cívica» do povo de Timor-Leste.

Bento XVI exortou, na altura, os responsáveis políticos timorenses a promoverem uma «progressiva democratização da sociedade», para aumentar a participação de todos os grupos na vida pública.

Antes do escrutínio presidencial de 2007, o então Presidente, Xanana Gusmão, convidara o Papa a visitar o país, para «ajudar a restabelecer a paz nos corações» dos timorenses.

O anterior Papa, João Paulo II, esteve em Timor-Leste em 1989, quando o território ainda se encontrava sob o domínio da Indonésia.

Lusa/SOL

Ramos Horta é recebido pelo Papa segunda-feira

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos Horta, será recebido segunda-feira pelo Papa Bento XVI no Vaticano, noticiou a agência Ecclesia
Uma das questões que o Nobel da Paz 1996 deverá abordar com o Papa é a aguardada criação de uma terceira diocese - além das de Díli e Baucau - que está dependente da divisão territorial de Timor.

Em 2007, quando foi eleito Presidente timorense, Ramos Horta agradeceu ao Papa a forma como comentou as eleições no país, depois de este ter destacado a «grande maturidade cívica» do povo de Timor-Leste.

Bento XVI exortou, na altura, os responsáveis políticos timorenses a promoverem uma «progressiva democratização da sociedade», para aumentar a participação de todos os grupos na vida pública.

Antes do escrutínio presidencial de 2007, o então Presidente, Xanana Gusmão, convidara o Papa a visitar o país, para «ajudar a restabelecer a paz nos corações» dos timorenses.

O anterior Papa, João Paulo II, esteve em Timor-Leste em 1989, quando o território ainda se encontrava sob o domínio da Indonésia.

Lusa/SOL

Adolfo Nicolás é o novo "Papa Negro"


O novo superior geral da Companhia de Jesus é espanhol

O novo superior geral da Companhia de Jesus, o espanhol Adolfo Nicolás, já coordenou a acção jesuíta em Timor-Leste e a sua larga experiência na Ásia dá-lhe fama de "homem do mundo".
"Trata-se de alguém que experimentou os dois mundos que se querem unir: a realidade dos cristãos na Ásia e a realidade cristã na Europa", disse à Lusa o padre Miguel Gonçalves Ferreira, do Centro Universitário Padre António Vieira.

Ressalvando ser ainda "cedo para ver" eventuais diferenças com o antecessor, o holandês Peter-Hans Kolvenbach, Gonçalves Ferreira disse que a experiência asiática do novo Prepósito Geral é relevante por ser a de alguém "que compreende os dois mundos e de relevo porque um dos objectivos para a Companhia de Jesus e para toda a Igreja é o crescimento dos cristãos na Ásia".

O novo superior geral, 71 anos, hoje eleito em Roma, passou 46 anos em missão na Ásia, sobretudo no Japão, onde era professor de Teologia na prestigiada Universidade Sophia, em Tóquio.

Desde 2004, desempenhou ainda funções de moderador da Conferência Jesuíta da Ásia Oriental e da Oceânia, com incidência em Timor-Leste e nas Filipinas.

Na votação de hoje, entre os 226 delegados, estiveram os padres portugueses Nuno da Silva Gonçalves (superior da província portuguesa), Carlos Carneiro (mestre de noviços) e Manuel Morujão (conselheiro do anterior superior geral).

Na eleição esteve também o superior regional de Moçambique, o padre brasileiro Carlos Giovanni Salomão.

Adolfo Nicolás, o "Papa Negro" que é o 29 sucessor do também espanhol Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, vai chefiar a mais poderosa ordem da Igreja Católica e a que, entre as congregações masculinas, detém o maior número de membros: 19.126.

Nos últimos anos também os jesuítas foram afectados pela diminuição geral de vocações, tendo passado de 35.920 membros na década de 1960, para os actuais 19.126.

Na província portuguesa, que inclui Angola e Moçambique, há cerca de 250 jesuítas, dos quais 170 residem em Portugal.

Pouco conhecido no Vaticano, falando quatro idiomas, o espanhol é visto como um "homem universal" que estudou na Europa e praticou na Ásia, condições essenciais ao "Papa Negro" (pelas vestes da ordem), que tem sido visto como alguém que representa a "universalidade" e o multiculturalismo.

A seguir nos próximos tempos estão as relações com o Vaticano, depois do papa Bento XVI ter deixado claro ao seu antecessor que espera que os jesuítas reafirmem a sua "adesão total à doutrina católica" e, em particular, a "alguns pontos nevrálgicos atacados hoje em dia pela cultura secular".

O primeiro acto do novo superior geral será, no domingo, a celebração de uma missa na igreja romana de Gesú.

Jesuítas elegem padre espanhol para novo superior-geral da ordem


Bento XVI recebe a 21 de Fevereiro o novo superior da Companhia de Jesus
A 35.ª Congregação Geral da Companhia de Jesus elegeu ontem, em Roma, o espanhol Adolfo Nicolás como novo superior-geral em substituição do padre Hans-Peter Kolvenbach. O padre espanhol, de 71 anos, torna-se o 29.º dirigente da ordem desde a sua fundação, em 1540, por Santo Inácio de Loyola.

Adolfo Nicolás obteve 109 dos 217 votos possíveis ao segundo escrutínio ontem realizado na cúria geral da ordem, no Borgo Santo Spirito, junto à Praça de São Pedro, onde decorre a congregação. O padre Nicolás presidia até agora à região da Ásia Oriental e Oceânia, que engloba Timor-Leste, onde coordenou a acção da Companhia devido às suas funções de responsável regional.

O seu primeiro acto público será a celebração hoje ao início da tarde de uma missa na igreja onde se encontra sepultado o fundador da ordem. Na ocasião, irá proferir uma intervenção referindo o que defende como prioridades da Companhia.

O novo superior-geral e restantes participantes da 35.ª Congregação serão recebidos pelo Papa Bento XVI a 21 de Fevereiro. A data da audiência deixa prever mais três a quatro semanas de trabalhos da reunião magna dos jesuítas. Em geral, estas reuniões são conhecidas pela sua longa duração, tendo a anterior durado mais de dois meses.

A actual congregação foi convocada após o padre Kolvenbach ter anunciado a intenção de resignar aos 80 anos, invocando razões de saúde. Este foi autorizado a fazê-lo por Bento XVI, mas permanece em vigor a regra que estabelece o carácter vitalício e a irrenunciabilidade ao cargo, após a escolha da congregação. Esta faz-se por votação secreta. O Papa é o primeiro a ser informado do nome do superior-geral escolhido.

A 35.ª Congregação, eleito o superior-geral, irá agora abordar a definição da missão e as prioridades da sua acção para os próximos tempos. Na véspera da eleição do novo dirigente da ordem, o Papa dirigiu, através do padre Kolvenbach, uma carta aos participantes na congregação, sublinhando a importância da acção da Companhia na missão "de transmitir de forma integral aos nossos contemporâneos, distraídos por inúmeras vozes discordantes, a mensagem única" do Evangelho.

A ordem é definida como o braço apostólico do Papa, sendo considerada um dos principais centros de elaboração doutrinária na esfera do catolicismo. Actualmente, desempenha ainda papel de relevo no diálogo com o islão.

A Companhia de Jesus é hoje a principal ordem masculina da Igreja Católica. O último recenseamento referia a existência de 19 216 elementos, dos quais 13 491 padres, 3049 estudantes, 1810 irmãos e 866 noviços, segundo números ontem divulgados por agências noticiosas católicas.

A província portuguesa, que engloba Angola e Moçambique, conta com 250 jesuítas, dos quais 170 a residirem em Portugal, indicou ontem à Lusa o padre Gonçalves Ferreira, do Centro Universitário Padre António Vieira, uma das instituições da Companhia no país.

Saturday, 19 January 2008

Renascença ajuda a equipar a primeira Maternidade-Escola em Timor-Leste

A Campanha de Natal da Renascença – Nascer em Timor - atingiu o valor de 86 926 Euros. Com o objectivo de angariar fundos para equipar a primeira Maternidade-Escola em Timor-Leste o apelo foi feito na Renascença entre os dias 6 de Dezembro e 6 de Janeiro.

A construção de uma Maternidade-Escola partiu de uma ideia do Patriarcado de Lisboa e que tem vindo a tornar-se realidade através da Fundação Mater-Timor. A primeira maternidade daquele território, que se situa em Díli, é já uma realidade. No entanto, para que comece a funcionar o mais cedo possível carece de equipamento. Com o total de donativos dos ouvintes da Renascença vai ser possível comprar um conjunto de equipamentos essenciais para o funcionamento da Maternidade.

Este equipamento vai ajudar a nascer muitas crianças, assistir as mães com partos difíceis, num país onde dar à luz em casa é uma prática comum, por falta de opção.

Mais de 15 mil quilómetros separam duas realidades muito distintas. Enquanto Portugal tem uma das taxas de mortalidade infantil mais baixas do mundo, Timor-Leste tem uma das taxas mais altas de mortalidade materna e infantil.

PSD «não tem divergências em política externa» com Governo

O PSD «não tem divergências» com o Governo em matéria de política externa, declarou hoje em Díli o dirigente social-democrata e antigo chefe da diplomacia portuguesa António Martins da Cruz.

«Não há divergências entre nós e o partido que sustenta o Governo», assegurou Martins da Cruz, questionado sobre a estratégia portuguesa em Timor-Leste.

António Martins da Cruz, que se encontra em Díli até sábado, referiu-se a Timor-Leste como «a prioridade da política externa e da cooperação portuguesa».

«Repetidas visitas de ministros portugueses a Timor-Leste têm manifestado o interesse continuado de Portugal neste país», afirmou, sublinhando que «a oposição deve reconhecer o que o Governo faz de bom quando é bem feito».

«Timor-Leste tem interesse para o PSD agora e quando ganharmos as eleições» legislativas, comentou também.

António Martins da Cruz é o novo presidente da Comissão de Relações Internacionais do PSD, após a eleição de Luís Filipe Menezes para a liderança do partido.

Para o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do XV Governo Constitucional, liderado por Durão Barroso, «o PSD pode ajudar Timor-Leste através da sua rede internacional».

Martins da Cruz recordou, a propósito, que o PSD faz parte do PPE, o maior grupo do Parlamento Europeu, e de duas organizações internacionais de partidos centristas e democratas cristãos.

«Esta rede pode ser útil a Timor-Leste para fazer passar mensagens por canais oficiosos», referiu.

«O PSD foi o partido português que mais se interessou por Timor-Leste durante 30 anos, mesmo quando esteve na oposição, e eu vim reafirmar esse interesse», defendeu António Martins da Cruz.

O dirigente do PSD foi portador de cartas de Luís Filipe Menezes para o chefe de Estado, o chefe de Governo, o vice-primeiro-ministro e o chefe da diplomacia timorenses.

António Martins da Cruz definiu a sua visita a Díli como sendo «do âmbito exclusivamente partidário».

No entanto, deslocou-se a Díli acompanhado por Rui Botica Santos, sócio-coordenador da sociedade portuguesa de advogados CRA (Coelho Ribeiro & Associados), de que é consultor.

A CRA Timor assinala hoje dois anos de actividade em Timor-Leste, onde tem como clientes operadores importantes dos sectores energético e de transitários, entre outros, e onde presta serviços de assessoria ao Estado.

Após a sua saída do Ministério dos Negócios Estrangeiros, António Martins da Cruz criou uma empresa de consultoria internacional, com clientes sobretudo na área financeira, incluindo o Carlyle Group, o maior grupo mundial de capital de investimento.

«Estivemos com todos», resumiu António Martins da Cruz sobre a agenda nos quatro dias em Díli: desde o Presidente da República ao primeiro-ministro, passando por todos os líderes dos principais partidos e o chefe da missão das Nações Unidas, além dos clientes que são mantidos em confidencialidade. «E vi os dois bispos», acrescentou.

Em Díli, manteve também reuniões com os embaixadores de Portugal, dos Estados Unidos da América, da Indonésia, da Austrália, da China e do Brasil.

«Timor vive no centro de uma tensão estratégica entre a Indonésia e a Austrália e é muitas vezes instrumental nessa tensão», afirmou António Martins da Cruz.

«Além disso, Timor-Leste é para o Vaticano um Estado de linha-da-frente», frisou, referindo que «é, ainda, um país independente após uma ocupação que devastou as elites».

«O país precisa de se afirmar no plano externo e de se reconstruir no plano interno», afirmou António Martins da Cruz sobre a situação actual.

«Isto leva gerações e pelo meio há acidentes de percurso. Certamente haverá mais», concluiu.

Diário Digital / Lusa

Presidente do Timor Leste perdoa ex-ditador indonésio

DILI (AFP) — O presidente do Timor Leste, José Ramos Horta, pediu a seus compatriotas que perdoem o ex-ditador indonésio Suharto, que está à beira da morte e que, em 1975, ordenou a ocupação do território timorense, deixando dezenas de milhares de mortos.

"É impossível esquecermos o passado, mas o Timor Leste deveria perdoá-lo antes que morra e peço à população que reze pelo ex-presidente indonésio Suharto", disse Ramos Horta a jornalistas.

Suharto, de 86 anos, é mantido vivo graças à ajuda de aparelhos em um hospital de Jacarta.

Ramos Horta, que se prepara para viajar para a Itália e para o Vaticano, disse que pedirá ao Papa que reze por Suharto. O Timor Leste, ex-colônia portuguesa, é um pequeno país católico na extremidade oriental do arquipélago indonésio.

A Indonésia ocupou esse território de 1975, após o fim da colonização portuguesa, até 1999, reprimindo violentamente os anseios por independência dos timorenses e causando a morte de mais de um terço de sua população.

Antes de se retirar do território em 1999, as milícias anti-independentistas apoiadas pelo exército indonésio destruíram 80% da infra-estrutura do país.

Wednesday, 16 January 2008

ONU analisa situação de menores no Timor


Comissão sobre Direitos das Crianças, em Genebra, elogiou país pelo cumprimento de leis internacionais.

A 47ª. sessão da Comissão sobre Direitos das Crianças está analisando em Genebra, na Suíça, o primeiro relatório sobre a situação dos menores no Timor-Leste.

A comissão, formada por peritos independentes, monitora a implementação da Convenção da ONU nos países que firmaram o documento.

A Convenção sobre os Direitos das Crianças foi adotada, em 1989, pela Assembléia-Geral da ONU.

Medidas

A ministra da Justiça, Lúcia Lobato, que participa do encontro, contou à Rádio ONU, de Genebra, o que seu país tem feito pelas crianças timorenses.

"Timor-Leste já ratificou a convenção e os dois protocolos. Também estamos criando a Comissão da Proteção dos Direitos da Criança porque isto está ligado a essa própria convenção. Neste momento, o meu ministério concluiu a primeira etapa de consultas públicas sobre a possibilidade de, em 2008, preparar já um esboço de lei. Do nosso orçamento há uma grande quantia que o governo destina para três ou quatro ministérios que estão muito ligados às crianças", disse.

Tráfico

Além do Timor-Leste, serão analisados relatórios de sete países incluindo Chile e Alemanha.

Entre os temas estão a participação de crianças em conflitos armados, tráfico de menores, prostituição infantil, pornografia e temas sobre saúde e educação.

Uma ex-colônia portuguesa no sudeste da Ásia, o Timor-Leste foi anexado pela Indonésia em meados da década de 1970 e se tornou independente após um referendo da ONU em 1999.

Centenário do nascimento de D. Jaime Garcia Goulart

PRIMEIRO BISPO DE DÍLI

Padre Marco Martinho

No passado dia 10 de Janeiro a freguesia da Candelária, no Pico, engalanou -se para celebrar o primeiro centenário do nascimento de um dos seus grandes filhos, o Bispo missionário D. Jaime Garcia Goulart, primeiro Bispo de Díli em Timor Leste.

Estas celebrações tiveram como convidado de honra Sua Excelência Reverendíssima D. Carlos Filipe Ximenes Belo, Bispo emérito de Díli e prémio Nobel da Paz em 1996, que presidiu a estas comemorações promovidas pela Diocese de Angra em conjunto com a Ouvidoria do Pico e com a Paróquia de Nossa Senhora das Candeias.

D. Ximenes Belo deu início às comemorações ao descerrar a lápide de inauguração da Rua D. Jaime Garcia Goulart, o troço da antiga estrada regional entre a Casa de São José e a Mirateca, onde se encontra a casa onde o homenageado viveu, construída no mesmo terreno onde há 100 anos se encontrava a casa onde nasceu.

De seguida os dois sobrinhos do Senhor D. Jaime que residem na ilha do Pico juntamente com D. Ximenes Belo colocaram uma coroa de flores junto do busto deste Prelado, que se encontra defronte da igreja paroquial, tendo as celebrações continuado com uma Missa de Acção de Graças, presidida pelo Bispo emérito de Díli e concelebrada pelo Bispo emérito de Macau, D. Arquimínio Rodrigues da Costa e por um grande número de sacerdotes do Pico e do Faial. No final da celebração foram lidas duas mensagens que ecoaram bem fundo nos corações daqueles que enchiam por completo a paroquial da Candelária. A primeira vinda de Timor do punho dos Bispos D. Alberto Ricardo da Silva, Bispo de Díli e de D. Basílio do Nascimento, Bispo de Baucau, sendo a segunda mensagem de D. António de Sousa Braga, Bispo de Angra.

Os actuais Bispos de Timor referiam na sua mensagem que o Senhor Bispo D. Jaime Garcia Goulart sendo “um açoriano que entrou para a história de Timor…não podia Timor Leste e a Igreja em Timor Leste estar ausente deste evento de saudade e de gratidão”. No final da mesma mensagem os prelados timorenses diziam: “Por último ousamos fazer um pedido aos habitantes do Pico e particularmente à família do Sr. Bispo D. Jaime Garcia Goulart. Logo que tivermos condições gostaríamos de trazer os restos mortais do Sr. D. Jaime para Timor Leste para repousar para sempre no meio deste povo e desta terra que ele tanto amou e pelo qual se sacrificou dando a melhor parte da sua vida. Obrigado a Deus, obrigado ao Sr. Bispo D. Jaime Garcia Goulart, obrigado a todos os missionários Açorianos que passaram por Timor, obrigado às suas famílias, obrigado à Igreja Açoriana e obrigado ao povo açoriano.”

Terminada a celebração decorreu no salão da Casa do Povo local uma sessão solene que se iniciou com a actuação do Rancho de Natal do grupo folclórico daquela instituição, seguindo-se uma conferência sabiamente proferida por D. Ximenes Belo que abordou Timor no contexto geográfico e histórico para chegar ao trabalho desenvolvido por D. Jaime Garcia Goulart como Padre missionário e posteriormente Administrador Apostólico e primeiro Bispo da então recém criada Diocese de Díli.

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Missão Universal da Igreja

+ António, Bispo de Angra


Não podendo estar presente neste início das Comemorações do Centenário de Nascimento de D. Jaime Goulart, 1° Bispo de Díli (Timor), associo-me à merecida homenagem a tão insigne missionário, que muito nos honra.

Como igualmente nos honra a amável presença de D. Ximenes Belo, a quem ficamos muito gratos, porque torna visível a nossa comunhão com a Igreja de Cristo, que está em Timor.

Este é um momento de acção de graças ao Bom Pai do Céu, fonte de todos os bens. Louvando o Senhor por tudo o que significou para a Igreja a figura de D. Jaime, queremos acolher e dar continuidade ao seu legado de empenho missionário, além fronteiras e portas adentro. Não nos deixando enredar por questões domésticas, mas alargando os horizontes para a missão universal da Igreja.

É uma constante na História da Salvação. O Deus eterno intervém no tempo; O Deus omnipresente actua em determinados lugares; o Deus todo-poderoso, para realizar os Seus desígnios, recorre à colaboração de servidores disponíveis e generosos, como D. Jaime.

Que o seu exemplo nos encoraje a todos, pastores e fiéis leigos, a sermos também nós missionários esforçados e clarividentes, «ad gentes» e «intra gentes»!

Igreja viva em Timor

D. Alberto Ricardo da Silva/Bispo de Díli

D. Basílio do Nascimento/Bispo de Baucau

Os nossos melhores e fraternais cumprimentos.


Ao celebrar o 1° centenário do nascimento do Senhor D. Jaime Garcia Goulart na ilha do Pico, um açoriano que entrou para a história de Timor e particularmente para a história da Igreja em Timor, por se tomar pura e simplesmente o primeiro Bispo da Diocese de Díli, não podia Timor Leste e a Igreja em Timor Leste estar ausente deste evento de saudade e de gratidão. Por isso, nós os bispos de Timor Leste, em nome do povo e da Igreja timorenses, também queremos estar presentes fazendo-nos representar pela presença e pela voz de um dos filhos mais ilustres desta terra, o Bispo Emérito de Díli, D. Carlos Filipe Ximenes Belo, finto da acção da Igreja iniciada pelo Sr. Bispo D. Jaime Garcia Goulart.

Reconhecemos a passagem de Deus pelas nossas vidas quando contemplamos o nosso próprio passado e aí reconhecemos os planos de Deus e os sinais por Ele usados para nos conduzir dentro dos Seus planos. A nossa saudade e a nossa gratidão são consequências desta contemplação do passado iniciado pelo Sr., Bispo D. Jaime Garcia Goulart. Ele foi, a um momento dado da nossa história, o instrumento escolhido por Deus para estruturar a vida da Igreja em Timor Leste, Os frutos colhidos pelo próprio talvez tenham sido muito poucos. Mas o Senhor D. Jaime iniciou. E o que resultou deste trabalho por ele iniciado é hoje incomensurável.

Timor Leste é um país maioritariamente católico, com uma percentagem de 96% de católicos, facto único em toda a Ásia do Sudeste; os líderes do país são na maior parte fruto das escolas da Igreja, praticamente todos eles católicos militantes; a Igreja está estruturada em duas Dioceses (Díli e Baucau) e cada vez mais florescente, não obstante as dificuldades próprias motivadas por etapas novas na vida das comunidades humanas; as vocações à vida consagrada, tanto masculinas como femininas, são inúmeras e fecundas a ponto de a Igreja em Timor Leste começar a enviar missionários/as para fora do país. A Igreja em Timor Leste é hoje uma Igreja viva, A semente lançada pelo Sr. Bispo D. Jaime em Timor, germinou, cresceu e frutificou de que maneira! Não colheu muitos frutos em vida mas hoje, do céu, deve contemplar, com aquele rosto de serenidade e bondade tranquila que sempre o caracterizaram, o trabalho por ele começado; e com ele nós, açorianos e timorenses, damos graças ao Senhor por o ter escolhido para ser o instrumento de Deus na Igreja de Jesus Cristo e criar entre nós laços indeléveis de amizade, afectividade, saudade e gratidão.

Por último ousamos fazer um pedido aos habitantes do Pico e particularmente à família do Sr. Bispo D. Jaime Garcia Goulart, Logo que tivermos condições gostaríamos de trazer os restos mortais do Sr. D. Jaime para Timor Leste para repousar para sempre no meio deste povo e desta terra que ele tanto amou e pelo qual se sacrificou dando a melhor parte da sua vida.

Obrigado a Deus, obrigado ao Sr. Bispo D. Jaime Garcia Goulart, obrigado a todos os missionários Açorianos que passaram por Timor, obrigado às suas famílias, obrigado à Igreja Açoriana e obrigado ao povo açoriano.